06 dezembro, 2018

Inverno Frio

Inverno Frio

Qual vento frio que me gela a alma inerte
pelas palavras desprovidas de calor
gretam as veias que maculadas de não ter-te
em sentimentos que gritam silvos em redor


podem palavras serem facas afiadas
com que seus gumes separam sem pudor
os corpos etéreos das almas perfumadas
que há muito se perderam por amor


chovem a lágrima há muito por nós deixada
que do vazio escorreita azedume
numa paixão que foi tão dada e delicada
com marcas de ferro quente feito lume


o que perdemos pela estrada que escolhemos
tão sofrida sem prazer, sem alegria
em que destino talvez nos encontremos
para recordar toda a emoção que de nós saía


e podem versos em poemas deslumbrantes
cantar as almas perdidas no seu encanto
que apesar do amor que foi de instantes
reter eternos sentimentos que eu canto.


Miro Couto
06-12-2018



28 novembro, 2018

gota d'àgua




Gota De Água


Fui à fonte beber água

Achei um raminho verde

Quem o perdeu tinha amores

Quem o perdeu tinha amores

Quem o achou tinha sede



Dá-me uma gotinha d’água

dessa que eu oiço correr,

entre pedras e pedrinhas

entre pedras e pedrinhas

alguma gota há-de haver



Alguma gota há-de haver

Quero molhar a garganta

Quero cantar como a rola

Quero cantar como a rola

Como a rola ninguém canta



Debaixo da oliveira

Não se pode namorar

Porque a folha miudinha

Porque a folha miudinha

Não deixa passar o ar [rires du public]



Dá-me uma gotinha d’água

dessa que eu oiço correr,

entre pedras e pedrinhas

entre pedras e pedrinhas

alguma gota há-de haver



Alguma gota há-de haver

Quero molhar a garganta

Quero cantar como a rola

Quero cantar como a rola

Como a rola ninguém canta



27 novembro, 2018

Um dia

Não queria ter-te em mim,
porque em mim eu já te tenho
tenho a força, o segredo do fim
de saber onde vou e de onde venho

Como um jogo de xadrês
onde as peças ficam juntas
perdemos uma e outra vez
e perderemos mais quantas?

até que um dia, em vez de jogo
seremos em plena união
um só vontade de fogo
os dois presos p'lo coraçao

pode a vida querer forçar
desviar da rota que seguimos
qualquer a que iremos traçar
leva aos mesmos destinos

Um dia, em paz diremos
as histórias que passamos
outras vidas que faremos
onde outrora nos amamos.

Miro Couto

27-11-2018

04 novembro, 2018

Site de compras on line

Site de compras on line sério.
Já o testei de varias maneiras e em caso de nao entrega devolvem o dinheiro integral.
Vale a pena.


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11 outubro, 2018

Virginia Moura

Virginia Moura

Com a força da razão
Em defesa dos caídos
A luta não foi em vão
Pois eles foram vencidos


Virgínia arquitectava
Junto com o seu Lobão
Uma guerra que lavrava
Do ódio contra a razão 


Nasceste onde nasceu
A alma Pátria portuguesa
Foste uma luz que no breu
Provou a sua grandeza


De Moura tens apelido
A rebeldia, a tempestade
Da areia que movia
Toda essa tua vontade


Resistente antifascista
Cheia de amor e paixão
Deixaste o teu sorriso
A esta grande nação


Partiste, missão cumprida
Em paz com o teu legado
Doaste demais tua vida
Eu deixo-te este meu fado


Miro Couto
11-10-2018

10 outubro, 2018

Citação

A poesia é a exaltação dos sentidos assim como a música é o leito que a embala.
Miro Couto

Apetece-me

Apetece-me

Apetece-me desistir de puxar carroças
ocas, vazias, sem humanidade sem amor
apetece-me calar todas essas bocas
que escrevem carregadas de rancor

apetece-me que as urtigas apanhem
e num momento por elas sejam despertas
que os picos singelos as amanhem
e preencha essas mentes desertas

apetece-me descansar desta luta
onde a banalidade atroz impera
onde reina todo o filho da puta
esmagando quem desespera

apetece-me mas não posso desistir
sob pena de um dia cá voltar
e por desgosto voltar a encontrar
parados no tempo a insistir

no erro, na maldade, no pavor
na falta de moral e de amor
na desumanidade, da imensa dor
que permite a maldade do actor

Apetece-me que as ondas venham já
que os terramotos os tirem de cá
que tsunamis libertem o mundo
e limpem de vez, pois está imundo.

Miro Couto
06-10-2018

20 setembro, 2018

Poder eu podia

Poder eu podia 

Podia cá estar, podia dizer
onde é que a vida nos vai meter
podia calar, podia rezar
e podia não ter mais que fazer


podia dançar, podia comer
podia amar e podia prazer
podia pular, podia beber
muita bebida para esquecer


poder eu podia, mas isso não queria
que a vida sem isso, tem imensa magia
não poder saber, nem sequer imaginar
o que ela nos tem para oferecer e p'ra dar


saltito aqui, rolando dali
rebolo sem ter rolo e sem ir a Bali
com passo de mestre, e de dança que ri
arranco o sorriso que queria de ti


de passo gingão e olhar bonitão
eu pisco e re pisco o olho pimpão
de braço a cintura, olhar de brandura
afago o teu corpo cheio de candura


poder eu podia, mas isso não queria
que a vida sem isso, tem imensa magia
não poder saber, nem sequer imaginar
o que ela nos tem para oferecer e p'ra dar


Miro Couto
20-09-2018

15 agosto, 2018

Esgotado

Esgotado

Primeiro soltas um suspiro e ninguém o ouve
depois, afagas os cabelos com as duas mãos e ninguem percebe
vais ruminando a amargura e o cansaço que alguém roube
e sempre pronto para te doares e toda a gente recebe


gastas a energia em simpatia, força e firmeza pétrea
alentas tudo o que se cruza e consegues ve-los
doas o teu coração e como numa chama éterea
afagas as tuas mãos numas bolas de pelos


resistes, hoje, amanhã, depois e muito tempo
ninguém vé, porque o suspiro é teu lamento
e isso não merece atenção, carinho ou cuidado
porque quem suspira, ainda não está desesperado


Resistes mais e mais dias sem esmorecer, sem cair
resistes até que alguém perceba e possa entender
o teu cansaço, a tua amargura, o teu sofrer
e só percebem, quando esgotado decides fugir


aí, aí sim, és um covarde, alguém que é queixoso
és um traste, es perdulário e pecaminoso
és fraco, convencido, canalha, vilão
és tudo o que eles quiserem, ou Não.


e quando decides optar por te manter em pé e dizes basta
todas as estruturas onde supostamente te apoias vão ruir
mas entre ficar doente, irritado, respondão à tua casta
foge, porque a única saída para sobreviveres é fugir
sem te afastares e sem deixares de dar o apoio que te resta
mas salvando a tua sanidade mental para o porvir


Antes doido, que louco. 

Beijos a quem é de beijos e abraços a quem for de abraços

Miro Couto
15-08-2018

03 agosto, 2018

Serás tu

Serás Tu

Vou andando por aí a procurar
a raiz da paixão que me refresca
a fragrância mais cheirosa que encontrar
é o cheiro da tua pele que me resta


no caminho que percorro a saltitar
e dos jardins floridos já colhi
mas nenhuma das flores tem o ar
que sempre respirei em ti


deambulo pensativo e errante
emerso num clamor de nostalgia
espreito essa frincha atentamente
mas nunca vestígios de ti via


quando à noite em sonhos me visitavas
com ofertas de amor em poesia
rasgava os sonhos que em mim sonhavas
e ficava a espera de viver esse dia


hoje já não sei em que acredito
se nos sonhos que outrora eu sonhei
se apenas alimentei um enorme mito
e só fui eu que te amei


e do amor que verti com vontade
a ferro quente marcado na minha alma
no coração guardado pela metade
pois é metade que me acalma


e nesta ou noutra vida quem sabe
voltaremos a partilhar esse aroma
ou quem sabe ainda saio do coma
e em breve outra maior janela se abre


Miro Couto
03-08-2018

21 julho, 2018

E foi amor

E foi amor

Foi encontro sem prever
que em mim fez nascer
Um amor forte e profundo
efémero momento lindo
que em meses se deu findo
mas do mais belo do mundo


Chegaste sem dizer nada
e de cabeça encostada
no meu ombro e na canção
fizeste o seu ritmo feliz
o compasso de firme raiz
que rasgou meu coração

Longe vão esses tempos
qual oração que fazias
que por mim também pedias
no esforço que passava
quando por nós eu lutava
e só eu sei que sofrias

hoje ainda reconheço
que quando os donos do berço
nos impõe as aparências
fica o amor amarrado
o sentimento destroçado
servil ás cruéis exigências.

O amor não tem barreiras
não tem idade ou fronteiras
não tem credo é colorido
tem o coração doado
tem a alma do seu lado
mesmo quando é partido.

Miro Couto
21-07-2018

08 julho, 2018

Quantas vezes vida

Quantas vezes vida

Quantas vezes apeteceu
quantas vezes que doeu
quantas vezes se ergueu
quantas vezes se perdeu

Quantas vezes se chorou
tantas quantas se amargou
quantas vezes se amou
quantas vezes se largou

quantas vezes se caiu
quantas vezes se fugiu
quantas vezes se pediu
quantas vezes te mentiu

quantas vezes são precisas
para atingir a paz e felicidade
quantas lições de vida necessitas
de levar para a eternidade?

quantas dores de parir
de te fazer renascer
te levaram a ruir
te levaram a entender

quantas escolas fizemos
ao longo das nossas vidas
somos sempre o que sabemos
nas metas por nós cumpridas.

Miro Couto
08/07/2018

06 julho, 2018

O errado devo ser eu

O errado devo ser eu.

O errado devo ser eu
torturam-se em arena animais
e a aprovação que se deu
faz-me sentir que estou a mais


A miséria instala-se com a indignidade
a dor nas famílias cheias de precariedade
o inverno que passaram frio que a EDP nos deu
vejo todos calados, e quem berra sou eu


Vejo a corrupção activa que nos destrói
vejo os hospitais num caos que nos dói
vejo banqueiros a roubarem os bancos
vejo assaltos a armas como em tancos


da justiça não se pode reclamar, dá prisão
que os juízes são quem manda na nação
e não nos permitem defender a nossa razão
prendem as pessoas por delito de opinião


dos governos sucessivos que espoliam o orçamento
vejo poucos a protestar contra, em descontentamento
e a maioria cala, consente sem reclamar, está no céu
e de certezinha absoluta que o errado só posso ser eu


e dizem as vozes supostamente contentes
que desligam de quem sempre reclama
que somos uns coitados permanentes
e quem protesta, quem berra, não ama


eu devo por fim dizer-vos que estou errado
quando defendo com clamor desesperado
uma vida de dignidade para todos nós
com verdade, justiça, saúde e pão
com humanidade que a constituição prometeu
mas já não tenho dúvidas, que quem está errado, sou eu


Miro Couto (a curtir o mau feitio com que nasceu)
06/07/2018

28 junho, 2018

És o meu fado

És o meu fado

Peguei no teu sorriso
meti no bolso e levei
e quando dele preciso
pego nesse teu sorriso
do bolso onde guardei
e quando dele preciso
pego nesse teu sorriso
do bolso onde guardei

há dias em que me embalo
cantando a nossa canção
mas a dor do intervalo
pede para cantar e calo
e rezo-te uma oração
mas a dor do intervalo
pede para cantar e calo
e rezo-te uma oração

Se te vejo a caminhar
nesse teu passo ligeiro
dou por mim a perguntar
como não se pode amar
o teu sorriso primeiro
dou por mim a perguntar
como não se pode amar
o teu sorriso primeiro

mal chega a noite suspiro
por te abraçar por inteiro
dos beijos que em ti respiro
e dos sorrisos que te tiro
são laços de corpo inteiro
dos beijos que em ti respiro
e dos sorrisos que te tiro
são laços de corpo inteiro

quando chega a madrugada
deitado ao teu lado e feliz
fica em mim sempre guardada
a tua alma em mim colada
nessa tua cara feliz
fica em mim sempre guardada
a tua alma em mim colada
nessa tua cara feliz

Se um dia perderes o sorriso
leva a chave do meu peito
e a lembrança que preciso
é saber que concretizo
e o que te fiz, fiz bem feito.
e a lembrança que preciso
é saber que concretizo
e o que te fiz, fiz bem feito.

Um dia talvez grave isto com guitarras e violas.
Miro Couto
28-06-2018

Luz Casal - Piensa En Mi

22 junho, 2018

Se eu morresse hoje

Se eu morresse hoje

Se eu morresse hoje, diria:
que tudo fiz para encontrar este mundo melhor quando voltar
Que ajudei aqueles que podia, mesmo quando a alma estava a rebentar
Nada me pesa na caminhada feita durantes estas décadas que vi passar
Os outros que perderam os seus sonhos, como eu, não deixei de acalentar
Ao desesperado grito dos desamados e combalidos sempre quis eu levantar
Aos que á minha frente iriam ser humilhados, eu não permiti humilhar
Aos viciados perdidos, tentei sempre encaminhar
Aos dementes enraivecidos, confrontei e tentei acalmar
Aos que se faziam vencedores dos  fracos, mostrei-lhes outro patamar
Aos ricos empedernidos, com egos indefenidos, mostrei-lhes o meu olhar
Aos pobres mais esquecidos eu gritei e fiz lembrar
dos muitos que são convencidos, consegui fazer chorar
Aos que choravam de dor, eu consegui alegrar
e a mim, enumeras vezes, do chão me fiz levantar
com as ajudas invisíveis, que me estão a ralhar
quando digo que já chega, do remédio que estou a tomar
que me deem outras tarefas, outras batalhas onde possa sustentar
a alegria contida, o humor amarrotado, e felicidade se amar.

Se eu morresse hoje, nada teria a lamentar.

Miro Couto

22-06-2018

21 junho, 2018

Uma história doce

Uma história doce

Do sorriso lindo dos teus olhos guardo imagem
quando no meu ombro a alma descansavas
em paz e sem guardas comigo estavas
pronta para comigo fazer longa viagem

A felicidade nas trocas de afectos sentidos
raiava a luz imensa que nem o sol consegue
eliminava a razão dos ânimos vencidos
gerava sonhos que todo o homem persegue

Eras flor, com asas livres e frescos aromas
eras rainha da razão que me vertia
era tábua de salvação da noite fria
que me roubava a dignidade nas suas brumas

foi efémero esse deleite abençoado
que me conquistou pela doçura de amor
que preocupado com o meu estado
auspiciava união de muito valor

Enquanto durou foi eterno foi, além
foi doce, paz, alento que desconhecia
pois nunca partilhei com mais ninguém
sentimentos que saíram de magia.

Hoje lembro os lábios doces de meiguice
as ternuras e carinhos abençoados
nos momentos curtos em que nada se disse
porque muito falávamos bem calados.

Um dia, ou noutra vida saberei
que verdade se impôs e a razão
que esfumou todo o amor que dei
mas quem ama, não necessita de perdão

Miro Couto
21-06-2018

30 maio, 2018

Nesse dia

Nesse dia

não sei o que a vida te diz a ti
nem sei o que mais posso esperar
só sei que tudo aquilo que vivi
doeu mas ensinou a despertar

não sei que mais alento posso dar
nem sei que mais fazer em oração
só sei que assim parado não irei ficar
porque a esperança me há-de dar razão

queria que ouvisses o meu grito
que sentisses o lamento em minha voz
da força de amar fiquei perito
mesmo quando amar é ficar a sós

Queria ter-te aqui sempre a meu lado
neste caminho sinuoso e muito agreste
queria mas não posso duvidar
das razões do caminho que escolheste

agora só a fé me indica o dia
para o alvorecer da minha alma
e apesar de a sentir muito fria
há-de chegar o calor que a acalma

nesse dia mágico brindaremos
em paz, amor e serenidade
dos abraços que um dia demos
e que deram imensos anos de saudade.

Miro Couto