01 novembro, 2020

Vidas

 Vidas (Alguém sabe a expressão)

A nossa vinda à Terra
É esforço de progresso
e a única coisa que não erra
é que um dia há regresso

Neste mundo tão atrasado
onde ser bom é castigado
vamos tendo alguns a amar
sendo que outros vão castrar

A falta de compreensão
entre seres ditos humanos
não se permite o perdão
e ficamos mais insanos

que pena é que pessoas
que deveriam ter formação
achem que tudo resolvem
com castigo e punição

Em vez de poderem ouvir
as vozes por eles silenciadas
que preferem em dor resistir
as investidas duras forçadas

esquecem que para ser amor
tente de haver compaixão
para deixar de semear dor
tem de semear mais perdão

E aquele que nunca erra na vida
e que faz jus de sua justiça
que atira a pedra escondida
apenas por mental preguiça

que de errantes todos somos
 e desta justiça ninguém fugiu
e não levará aquilo que temos
mas o amor que construíu.

Miro Couto
01-11-2020


30 outubro, 2020

Este português estranho

 Este português estranho

Se o fato, fosse factual e não formal
seria um fato de noticia nacional
ou apenas seria por brincadeira
a mensagem feita bandalheira?

Entre o facto da cor do fato
ou o fato ser da cor do fato
há uma interpretação igual?
ou serei eu que estou a ver mal?

Acabei de ler agora numa mensagem
de um sujeito que acabou a formatura
dizer que a “mição” foi comprida
e fiquei sem saber se teve nota pretendida

Se errou no C que falta no adjectivo
então deu largas à sua virilidade renal
fez uma micção de objectivo altivo
para além do comprimento anormal

Se na palavra foi falta do C em “mição”
e se refere tipo 007 á sua missão
a escola falhou muito então
no cumprimento da sua missão

mas criticam os do porto
por trocarem os Bes pelos Ves
mas nunca ninguém entendeu torto
estas denominações em Português

e nesta comunicação mensageira
em que além de tudo mais interessa
que a mensagem chegue inteira
seja para a frente ou reversa.

Miro Couto
30-10-2020

23 outubro, 2020

Transição

 

Transição
(dedicado aqueles que já entenderam e sofrem)

Quantos de nós caminha sobre a Terra
sentindo o temor de não lhe pertencer
vagueando por aí da manhã ao anoitecer
sem entender a vida que tanto nos ferra

quantos de nós somos almas peregrinas
no afoito de sensatez e amor desgostoso
doando tempo, contornando as esquinas
do sofrimento humano tão impiedoso

rasgando os véus que nos são impostos
das egrégoras longínquas que passamos
com o registo espiritual que registamos
a mover a humanidade de maus gostos

quantos de nós esbatidos e esgotados
em delírio flamejante de saudade memorial
percebemos a situação ultrajante moral
e aqueles que surgem super dotados

quanta distância entre eles se mostra
e quão mesquinha se faz esta vivência
nós cansados de tanta luta que nos vergasta
e eles carregados ainda de imensa paciência

vivemos dois tempos sucessivos em escala
os primeiros vieram revoltados e combatidos
os segundos de boa vontade por nós queridos
mas que os outros nao lhes querem permitir fala

que momento a Terra passa tão esplendoroso
que marco histórico vai ser esta mudança
como em fénix vai o planeta ficar amoroso
e tão leve como um sorriso de uma criança

mas as dores de parto que aí estão a vir
cheias de amargura e perdas sucessivas
provam que o planeta está a sentir
que tem de curar a doença e as suas feridas

Resta-nos compreender que tudo está certo
e apelar aos que dormem o acordar na luz
aos que teimam em ser sombras e aperto
que Deus lhes alivie um dia a sua cruz,

23-10-2020



21 outubro, 2020

Emoções

  • Emoções

    Era um dia como outro qualquer
    chovia e ventava lá fora com vigor
    no quarto e na cama com uma mulher
    abraçados num vulcão de pleno amor

    Eram fugas perfeitas de sorriso e ternura
    em que as horas se tornavam sonhos lindos
    que esperávamos poder viver na fartura
    da simplicidade, alegria aos tempos findos

    Tínhamos no toque a esperança sadia da vida
    e apenas projectávamos a pura felicidade
    como se curássemos toda e qualquer ferida
    num amor que não se distingue pela idade.

    Foram quatro estações perseguidas
    num tempo marcado exíguo estóico
    tantas coisas que foram conseguidas
    que se perderam sem nada de heróico

    Miro Couto
    20-10-2020




 

06 outubro, 2020

Espero pelo fim

 

Espero pelo fim

Espero pelo fim como quem agonia
cansado do mundo atroz egoísta
sem que sinta alguma sintonia
de paz, fraternidade altruísta
 
espero pelo fim como condenado
a contar dos dias encarcerado
marcando com pauzinhos na parede
o tempo que lhe falta e lhe dá sede
 
Espero pelo fim como moribundo
espera pelo desligar da alma
na boa fé de que bem lá no fundo
a morte seja aquilo que me acalma
 
espero pelo fim desta convivência
pouco sadia e cheia de vaidade
sem humildade nem sapiência
sem carinho, sem humanidade
 
Espero pelo fim e desespero
angustiado por tanto desamor
tantas lágrimas jorradas amparo
de vidas sofridas sem alguma cor.
 
Espero pelo fim e anseio seja breve
que qual fénix das cinzas se renasça
numa vida que nenhum ser teme
e que todos vivamos num estado de graça.
 
Miro Couto
06-10-2020

04 outubro, 2020

Uma vida da minha vida

 Uma vida da minha vida

Quatro décadas separam o dia de hoje
quando em alvoroço saía de casa
pelas seis da manhã como quem foge
como quem voa em golpe de asa

durou até ás 20 a ansiedade de saber
se tudo estaria bem dentro da sala
onde médicos e parteiras te fariam nascer
e por fim se deu o suspiro que leve se exala

Até seres mulher acompanhei e tudo fiz
rasguei a vida com toda a força imponente
para que aprofundasses a tua boa raíz
e que fosses uma pessoa feliz e contente

Hoje perdido no tempo das memórias
entre o que ficou caído e desmoronado
são ainda vivas e gravadas as histórias
apesar de estes muitos anos de mau fado

Regozijo-me ao saber que bem semeei
e das minhas fontes brotei  valor
apesar de mal entendido sempre dei
compreensão e muito amor.

Perdido não me sinto e orgulhoso estou
apesar de não sentir nenhum afago
mas como sempre de mim eu dou
tudo o que de bom comigo trago.

4-10-2020

Miro Couto