04 julho, 2021

Tudo o que sou

 Tudo o que sou

Que a voz nunca me doa
para denunciar o errado
que a minha força seja boa
e que a razão esteja do meu lado

Que a força do que amo
da verdade e amor intemporal
tenha tudo a que chamo
a máxima elevação espiritual

que saiba sempre o caminho
de ajudar esta pobre humanidade
de abraçar o meu grande sonho
de viver feliz em comunidade.

Um dia, quem saberá dizer
podemos todos assim viver
com o sorriso na alma
em paz e em doce calma.

Miro Couto

03-07-2021 

 


 

27 junho, 2021

Morna Éterea

Morna Eterea

Minha oração é pequenina
tem alguns pedidos com amor
dita com a força que me anima
pelos que sofrem com muita dor

são palavras doces como mel
aqueles a quem a dor dilacera
que engolem o amargo do fel
com esperança de primavera

São auspiciosas melodias
que brotam do meu coração
ditas com força todos os dias
até que se cure meu irmão

feita de carinho e bem querer
sai do amago do meu ventre
onde reside a energia o poder
que nos faz caminhar em frente

Miro Couto
27-06-2021


07 junho, 2021

Rosas na alma

 Rosas na alma

Eram rosas meu amor
as que levava no braço
carregavam o odor
que te dava num abraço

era flores de muitas cores
rosas vermelhas de paixão
amarelas das mil dores
que trago no coração

Era leveza e perfume
num beijo a ti roubado
era o que alimentava o lume
da paz que tinha herdado

era melodia singela
ternura feita de cor
a paz cantada a capela
num leito cheio de amor

Eram flores , ou eram rosas
carregadas de belos sonhos
um desenho feito em prosa
triturado por moinhos

mas aquilo que restou
de toda a beleza contida
é o perfume que ficou
e que carrego pr’a vida

Miro Couto
07-06-2021



04 junho, 2021

Reflexão

 

Reflexão

Não faças desenhos para a vida
Que a vida desenha por ti
O que desejas é coisa perdida
pois a vida não te sorri

Nem seria de esperar
pois é curso temporal
uns só pensavam amar
e estão num hospital

a vida é sempre incerta
nunca deves esperar nada
dá-te de forma certa
de forma contrariada

e os desejos de amor
que depositas nos outros
são fragmentos de dor
servidos sempre aos poucos.

Miro Couto
04-06-2021

02 junho, 2021

Família

 

Família

Há quem me leia pelo que visto
Há quem leia pelo que digo
quem me lê pelo seu umbigo
esses não sabem ler, deles desisto

há quem saiba ler as palavras
essas que escrevo à pressa
os que lêem as minhas obras
me lêem em longa conversa

Há até alguns que dizem ler
o que tenho em pensamento
e querem fazer outros crer
pela maldade deles, lamento

Há quem os olhos me leia
e quem me leia a alma
poucos são da minha veia
os que são a minha calma

Sem palavras, ou movimento
sabem sempre como me sinto
porque é delas o sentimento
igual ao meu, e não brinco

É a família que a alma acolheu
são aqueles que nos conhecem
são o amor que nunca se perdeu
são as almas que nos pertencem.

Miro Couto
2-06-2021

31 maio, 2021

Descrédito

 

Descrédito
 
Já não sei em que hei-de crer
uns falam que fazem demais
eu nada os vi ainda fazer
a não ser falar nos jornais.
 
Os que vejo a fazer obras
com filantrópicas promessas
enchem-se e são como cobras
ficam com um terço, das remessas
 
Já nem sei o que faz falta
se é cantar e animar a malta
ou se a cantiga é uma arma
dos ladrões ao povo, ninguém reclama
 
Se fizesse como a Avestruz
fingia que não sabia de nada
mantinha a ausência desta cruz
se mantivesse a boca calada
 
Mas não, não sei nem consigo
assistir a esta podridão corrupta
que fazem convosco e comigo
roubam sáveis, roubam truta
(Era mais ladrões FDP)
 
em tribunais perdoados
riem de nós todo o dia
se não forem atacados
com acções de cidadania
 
Eu não me contento assim
neste desleixo, frio, apático
e só me permito assim
ser lutador pragmático
 
E a estes reles senhores
de batina e cruz ao alto
ou de aventais de bolores
que nos criam sobressalto
 
um dia, terão com eles
o retorno das acções
pois são as suas atitudes reles
que produzem revoluções.
 
Miro Couto
31-05-2021

15 maio, 2021

Anónimo

 Anónimo

Morreu hoje o sr. Anónimo
sem pompa, sem circunstância
ele que lutou toda a vida, cheio de animo
desde a sua mais tenra infância

Não tirava selfies do que fazia
nem apregoava aos ventos
tudo o que ele trazia
eram apenas lamentos

levava amor, ao mais triste
portava carinho aos animais
andava de dedo em riste
contra os absurdos morais

não julgava os desvalidos
nem alimentava senhores
sempre levantou caídos
sempre atacou maus doutores

dava milho aos pombos
como se saciasse uma multidão
da fome, a quem anda aos tombos
ajudava como se fosse irmão

o sr Anónimo morreu
sem pompa nem circunstância
Sei que podia ser eu
que tenho a mesma importância

Miro Couto
15-05-2021




04 maio, 2021

Vida

 A vida, é o tempo que nos é concedido para evoluirmos. A ignorância é a força que nos impede de o fazer.

26 abril, 2021

Peniche, Museu da ditadura

 Peniche, Museu da ditadura

Dois anos passaram
no museu da liberdade
presos que lá gritaram
sem temer a atrocidade

Foram anos de escuridão
de fome miséria terror
os que lutavam pelo pão
eram massacrados pela dor

Alguns por lá ficaram
sem ceder à dignidade
e torturados que foram
morreram pela liberdade

Alguns cá fora resistiam
mordiam o negro regime
lutavam e conseguiam
denunciar tanto crime

Hoje, tentam esquecer
a dor que muitos sofreram
desses que estão no poder
da dignidade esqueceram

e por mais que se mascarem
de democratas e pró povo
num dia em que não contarem
Se fará um Abril Novo

25-04-2021




17 abril, 2021

Existência

 Existência

Ainda agora aqui cheguei
despido de tudo, sem nada
abri os olhos e muito berrei
sem perceber porque berrava

Fecho os olhos por momentos
décadas em minutos se passam
uma vida cheia de tormentos
e lições que nos extravasam

olho para trás no ensejo
de entender esta vida
das lições em que me vejo
nesta escola tão dorida

O tempo correu veloz
e feito raio refulgente
mostra a verdade atroz
e nosso corpo o sente

como conviver comigo
jovem, alegre e irreverente
num corpo que por castigo
teima enfraquecer lentamente

Quanta força no espirito contida
nesta força de viver o universo
num corpo que sofre investida
desse tanto tempo, perverso

Resta saber que um dia
ca voltamos a brindar
numa enorme euforia
até a vida acabar

aproveitemos porém
horas e minutos contados
para tentar fazer bem
e nos sentirmos amados.

17-04-2021
Miro Couto

08 abril, 2021

Já não sei mais

 Já não sei mais

Não sei como vos dizer
que no mundo não tem volta
por mais que o tente fazer
com meu grito de revolta

não tenho forma nem meios
para demonstrar o que sinto
de avisar que os meus receios
são reais, e eu não minto

parecem segredos nossos
dos “loucos” da sociedade
que sofrem até aos ossos
este mundo de maldade

medos e receios não temos
sabemos que tudo é certo
lutamos contra os demos
que nos dão algum aperto

e que pena vamos sentir
desta humanidade perdida
que só pensa em adquirir
deixando a alma esquecida

sem perdão e sem amor
sem doar o coração
choramos por ver que a dor
não vos terá compaixão

os que dão as mãos e abraços
com calor, amor e fraternidade
tentam com exaustão, cansaços
puxar-vos à verdadeira claridade.

quem aproveita será feliz
e levará ao seu semelhante
essa flor bem presa à raiz
que florescerá mais adiante.

Miro Couto
08-04-2021