31 outubro, 2019

Passagem

Passagem

Eu vi uma menina triste que me sorria
triste por dentro mas com um sorriso de alegria
triste da vida, das lutas que não vencia
das guerras verbais que não entendia

Eu vi essa menina triste sorrir e calei-me
senti a força interior de um vulcão
percebi a dor que trazia no coração
olhei bem os olhos e aproximei-me

dei parte de mim, no seu consolo
dei as palavras que lhe serviram de colo
dei o meu braço, e com muita emoção
vi renascer amor, amizade e perdão

hoje a menina sorri mais alegre e feliz
luta pelas coisas que a fazem contente
as brigas de ontem, não cortaram a raíz
mas estão a secar muito lentamente

amanhã, que sei que estará bem
partirei rumo a outra direcção
outras pessoas virão também
para eu guardar no coração

e assim de fase em fase, deixo a vida
semeando o pouco que sei e possuo
andando em frente sem nenhum recuo
até ser memória, numa estante perdida

e se conseguir estes registos comigo levar
serei feliz, porque me irei sempre lembrar
dos momentos passados neste planeta
na viagem que farei feito cometa.

Miro Couto
31-10-2019

24 outubro, 2019

É muito tarde

É muito tarde

Que as sementes do amor desabrochem
adubadas com abraços e beijos sentidos
que haja compaixão dos sem abrigos
e os alforges de miséria se esvaziem

que a vida ganhe sentido e felicidade
que o amor nunca se perca na idade
e os afectos possuam carimbo forte
e que a união humanitária ninguém corte

que os laços de amizade sejam elos
de aço cimentado com imenso fervor
que a vida cinzenta ganhe muita cor
e os que eram brutos sejam singelos

Que as almas percebam a essência
desta vida que lhes foi oferecida
que cultivem por demais a paciência
onde antes era forma agressiva

é muito tarde para não agarrar a vida
e fazer dela o mestrado que nos falta
onde amar seja a mais bela partida
e no exame, passemos com nota alta.

Miro Couto
24/10/2019


28 agosto, 2019

O Medo

O MEDO

Se soubessem o medo que o medo tem
de quem não tem medo
Percebiam o meu sagrado segredo
de não ter medo de ninguém

O medo só tem poder,
de quem dele o alimenta
cresce e toma conta
a quem frente não lhe fizer

E o medo em qualquer idade
ficas sempre prisioneiro
agarrado ao medo inteiro
sem vida e sem felicidade

O medo também tem medo
de quem o medo não tem
e esse é o segredo
Do amor, de se estar bem

Enfrenta o medo com força
Com sabedoria e amor
E o medo terá pavor
Do teu sorriso de troça

Porque os medos que guardamos
São amargos e tristonhos
e quando o medo afastamos
Seremos sempre risonhos

Venham eles quantos são? Até os comemos!

Miro Couto
28-08-2019

28 julho, 2019

A ti Vida

Quando lembro a tua imagem
não sei definir os contornos faciais
porque o registo que ficou em mim
foi a flor da alma de cheiro jasmim
que brotava de formas brutais
que fazia viagens plenas sem fim

não lembro da roupa que vestias
mas do sorriso carregado de amor
da ternura do toque e da cor
rosácea na vergonha que temias

Do carinho suave e ternurento
de poisar os sentimentos no meu braço
quando a partilha sentida do momento
no encosto da cabeça em teu regaço

Difícil seria esquecer essa beleza
feita eterna ligação espiritual
perpetuada pela tua franqueza
nesta pequena passagem temporal

e rasgo em mim a vontade
de pedir a todos os santos
que nunca te falte a verdade
protegida em todos os cantos.

E um dia quando partir
feliz por ter conhecido
e ter sabido sentir
um grande amor proibido.

Miro Couto
28-07-2019



03 julho, 2019

Pensamento

Se alguém te tratar como se fosses um imbecil, não te zangues, essas pessoas estão cercadas de imbecis e acham-se iluminados, porque já não conseguem atrair pessoas inteligentes.
Miro Couto
03-07-2019

23 junho, 2019

São João


São João

Pedir ou orar será um castigo
ao governo e ao São João
que dêem comida aos sem abrigo
e uma condigna habitação

as sobras do que estragam e roubam
chegavam a acomodar com humildade
os que sem nada ainda mais poupam
não conseguem paz e serenidade

e da fartura que assola
as casas mais abastadas
há alguém que se consola
com batatas estragadas

e a dor do meu semelhante
assolada no meu peito
deixa-me triste semblante
nesta sociedade que rejeito

e de prato cheio de nada
olho sempre à minha volta
e vejo outros homens à solta
em prisões de fome enganada

E de tristeza em tristeza
nesta sociedade doente
apenas fica a grandeza
do que no chão é resiliente.

Por amor a todos eles
com a alma em pedaços
oro e peço aos governantes reles
que sejam humanos, PALHAÇOS!

Miro Couto
23-06-2019

18 junho, 2019

Animalidade versus espiritualidade

A Humanidade é o intervalo entre a animalidade e a espiritualidade

Como seres evolutivos que somos, viemos ancestralmente da animalidade e caminhamos para a espiritualidade. Se quisermos perceber a distância que nos separa do ponto de partida, e o que nos falta para o ponto de chegada, basta analisar o nosso comportamento perante o que nos cerca, pessoas, coisas e animais, e como quando estamos em provação, reagimos.
Entre um estado e o outro, existe também a diferença entre a inteligência e a esperteza, pois o que ainda está preso aos laços da animalidade, tudo aproveita, mesmo calcando os outros, ou quando os outros não se apercebem, enquanto o inteligente sabe que se assim agir, um dia terá de aprender com sofrimento, os erros que comete.
A esperteza, própria da animalidade, faz com que alguns seres tentem ser melhores, mais ágeis, sem se preocuparem com o resultado das suas acções nos outros, desde que sejam vencedores, ao contrário, os inteligentes procuram obter o sucesso, sem que isso magoe ou prejudique alguém, e se possível que beneficie a maioria dos que coexistem com ele.
Quando saímos fora da nossa "ilha" e olhamos bem para ela, e a conseguimos analisar com frieza sem egos, percebemos perfeitamente o que ainda temos de percorrer para atingir a meta, e não é errado estar atrasado, o errado é persistir no atraso, e não mudar para andar em frente e ganhar a cada passo mais graduação evolutiva.
Não posso culpar um cão de morder pois está no seu instinto de defesa, assim como não posso rebaixar um ladrão porque ele ainda não sabe ser melhor, mas tenho o dever se lhes mostrar o erro, com firmeza e mostrar na prática com exemplos que não é esse o caminho.
Somos todos ainda imperfeitos, e aqueles que nos chamam a atenção para as nossas imperfeições com firmeza e por amor, são aqueles que mais se preocupam connosco, pois são aqueles que são a nossa bússola na rota que teremos forçosamente de percorrer, pois ninguém ao longo dos milénios, ficará estacionário, na animalidade, e todos caminharão para o amor universal, para a espiritualidade.
Eu tento mudar aquilo que me atrasa, e isso requer esforço, abnegação e humildade, mas, a alegria de vencer essas muralhas, chama-se felicidade.

Miro Couto
18-06-2019

13 junho, 2019

Gladiadores de Hoje

O gladiadores de hoje

Os gladiadores de hoje
não usam espadas 
nem escudos de metal
não matam escravo que foge
nem fazem aos leões largadas
nem assassinam de punhal

Não usam quadrigas e lanças
nem redes feitas de Sisal
chicotes de couro ou mangual
machados e capacetes de tranças

usam adjectivo pronome e verbo
sabedoria, integridade e inteligência
amor, simplicidade com acervo
e muita capacidade de resiliência

Os gladiadores de hoje querem paz
defendem os caídos em sargeta
esmaga canalha que se acha vedeta
e para ele condenado, tanto faz

denunciam com palavras e poemas
cantam revoltas feita indignação
transformam a dor em oração
aliviando as mais duras e cruéis penas

mostram verdade carinho e atenção
fazem ver que se pode amar o mundo
pessoas, animais, toda a criação
e dar beleza a este planeta ainda imundo

são guerreiros mentais poderosos
não vergam, nem são ociosos
nos propósitos morais elevados
caem, choram, desanimados

e de seguida, erguem-se do chão
vestem a alma, com a força da razão
e voltam a luta do amor incondicional
nesta, em outra vida, será intemporal.

O gladiador de hoje, ajuda o inimigo
a tentar combater o seu umbigo
com pureza contra a ganância egoísta
e para ele, só o amor é conquista.

Miro Couto
13-06-2019


12 junho, 2019

À Espera

À Espera

Da paz que me sugeres franca
num pavio de algodão singelo
moldada pela glicerina branca
acende a chama que eu velo

doce palpitar do miocárdio
com batida poderosa das cames
ligam velas, faróis e o rádio
à espera que tu me chames

fermenta na ansiedade esse amor
deleitado na bigorna do ferreiro
espera do projecto todo o explendor
nas vigas retiradas de um pinheiro

moldada na tupia rotativa
ágil serpentear de um tico tico
rasga a alma rendilhada e viva
com um cinzel de perfeito bico

e se a talha que de bilros se parece
num entrelaçar de fios condensados
em gravura de historia que acontece
hieroglíferos pelas almas pintados

de fio de prumo verticalmente alinhado
cuja gravidade nos é demonstrada
criamos edifícios em dó elevado
de isolamento humano forçado

tecemos finas linhas de ligação
em redes alienadas e banais
em vez de alegria e satisfação
partilhada, em linhas de produção

e do simples fusível que se queima
por não ter a amperagem certa
da sedução utópica que reina
nunca se viu tanta gente esperta

e se as quilhas alinhadas em mar alto
sem leme ao vento planaram
pela sua combustão turbinaram
uma emoção que nos faz temer o salto

burilada feição no estirador
revelada em câmara pouco escura
sem grão mostra que a dor
só se sente enquanto dura

e não há alinhamento direccional
que corrija ou calibre vibrações
nem sempre a vida com sal
regista as boas recordações

e surfando em forte apneia
dentro de um belo chafariz
percebemos que chateia
aquilo que não se diz

Miro Couto
12-06-2019

22 maio, 2019

Vida

Vida

Conforme vais caminhando
nesse que é o teu trilho
para trás vai ficando
o que perdeu o brilho

avanças, e a tua alma segura
da a direcção, o rumo certo
e quando a viagem é dura
só os que amam ficam perto

deixas ficar as coisas, e os vulgares
deixas pessoas mais os seus lugares
tornas leve a carga que tanto pesava
e caminhas como se não fosse nada

muitos dirão que muito perdeste
não sabendo a lição que aprendeste
e aqueles que foram teu mestre
na maldade que sofreste

Caminhas, quase só sem lamento
aprendeste que o sofrimento
te dá a escola que precisas ter
para moldar a elevação de ser.

e aqueles que pelo caminho ficaram
não eram amigos nem amores reais
eram simples provas duras,  carnais
que o teu valor moral atestaram

E segues o teu caminho
alheio ao que as dores de parir
enfrentas o teu destino
ás vezes sozinho, mas a sorrir.

Miro Couto
22-05-2019

17 maio, 2019

A verdade sempre vencerá

A verdade sempre vencerá

Há quem construa muros, muralhas e vedações
redes, valas em cornualhas, barreiras pelas nações
mortandade, guerra e fome, miséria e crueldade
gente faminta e pobre, a passar necessidade

Há quem destrua emoções, ou felicidade alheia
há quem mate corações, com cinismo de mão cheia
violam a integridade, remexem na imensa podridão
não conseguem ver verdade no mais puro coração

há quem tente desfazer o amor que é semeado
há quem me tente deter no pretérito passado
que me feche em masmorras encerradas a cadeado
esmagando o pensamento, do bem que foi criado

Há quem não queira a verdade, pois ela sempre incomoda
e ha quem de verdade se venda, quando é posto à prova
mas também há quem resista, que lute e já sem pachorra
não deixe de fazer pontes, ainda que por elas morra

Há quem manobre escondido, fazendo opinião
há quem te queira oprimido, sabendo que tens razão
e tu que és Homem, resistes, e das a cara de novo
lutas, crias, insistes, em manter a pé este povo

apesar desses canalhas, que nos querem esmagar
as nossas pontes serão as mortalhas que os irão tragar
porque ninguém vence a razão, ninguém a derrota
joguem, criem confusão, mintam, achando que ninguém nota
e um dia, quando perceberem, que não se prende a razão
as grades que esses senhores fizerem, serão a sua prisão.

Miro Couto
17-05-2019

01 maio, 2019

Pensamento

A contestação das evidências só se pode fazer quando absorvemos o conhecimento da filosofia que a sustenta, ignorar um pensamento, ou uma filosofia, não nos dá a possibilidade de a contestar com fundamentos.
Miro Couto

23 abril, 2019

Pensamento



O Planeta Terra é uma escola em que a maioria dos alunos não sabe que são alunos, e os professores não fazem a mais pálida ideia das lições que dão.
Miro Couto

Vencer é a opção






 

Vencer é a opção

De Cartaz em cartaz
com o coração na mão
fomos gritando paz
liberdade e revolução

do medo que alguns quebra
de pixagem intencional
lutamos contra a guerra colonial
que tantas mortes encerra

de tanto engolir a revolta
da miséria feita ao povo
vencemos, demos a volta
e vencemos de novo

hoje vamos perdendo
tudo o que foi conquistado
e o medo novamente instalado
a alma nos vai corroendo

só quando o povo acordar
e perceber que dele é o mundo
faremos progredir e andar
este sentimento profundo

Miro couto
23-04-2019

20 abril, 2019

Pensamento

"Numa sociedade completamente errada, só os errados estão certos."
Miro Couto

13 abril, 2019

Abril de novo

Restaurados no sistema
pelas mãos de que os pariu
querem encerrar de vez
as portas que abril abriu.


São canalhas travestidos
de senhores de academias
mas é com aventais vestidos
que nos fazem tiranias


Já nem jogos de cintura
a camafular a ignomínia
fazem tudo às claras
em plena luz do dia


Ocuparam postos cruciais
em lugares de decisão
por mais que denunciemos
ninguém vai para a prisão


canalhas de todo o tipo
de luva branca e ego cheio
falam ao povo de pulpito
criando ao povo receio


são chacais, vigaristas
são reles vermes fascistas
com mascaras bem pintadas
que permitem fortunas roubadas


Fazem grupinhos amestrados
onde os conluios de fazem
e os vassalos acobardados
assistem e dizem amén


assim vão as portas que abril abriu
com politicos de algibeira
corruptos, sentados na assembleia
e a vontade é manda-los a puta que os pariu


Somos apenas numeros vazio a sorte
que estes canalhas levam a sugar até à morte
defendendo os seus por ordem de um grão merda
e o povo sofre, geme e berra, sempre em perda


depois, sim um dia depois dirão
que o povo revoltado, os maltratou
e dirão que são o prec da revolução
e escondem a mão que nos esmagou.


Quando será que este povo
ganha consciencia de cidadania
e põe de molhos estes canalhas de novo
e acaba com esta enorme tirania


será que teremos de gritar de novo
e fazer abril mas só com povo
para acabar com a dor que impera
e fazer abril nova primavera


acabar com ignominia absurda
onde o povo calado sofre horrores
para permitir a estes canalhas senhores
levar uma vida faustosa em vez de uma surra.


E se não dermos as mãos, contra todos eles
acabaremos por ser apenas carneiros
nas mãos de lobos matreiros
que alimentam vampiros como eles.


Teremos que voltar a abrir portas
desta vez sem fechaduras
correr com estas corjas
este bando de cavalgaduras


e poder cantar de novo
a uma só voz todo o povo
que ninguém vergara vontades
e que abril será de todas as idades


construído só com verdades
criando um país novo

e para não cerrarem de novo
as portas que abril abriu
só a força de um povo
que a um só grito rugiu!


ide vermes bolorentos
para fora deste país redil
e vamos semear os ventos
que nos traga um novo Abril.


Miro Couto
13-04-2019


24 março, 2019

E não seria feliz

E não seria Feliz

Por varias vezes fui convidado a ser artista
a ir para os meios reconhecidos dos cantores
onde se promovem jovens simples a senhores
puxando egos, até poderem dar na vista

Por varias vezes tive de fazer opções
ser ilustre reconhecido, um vencedor
vendendo a alma a uns senhores mandões
passar a comerciante do meu amor

podia ter aceitado entrar em negocios
que corruptos me encheriam de dinheiro
e hoje em vez de ser um simples pardieiro
seria uma montanha brilhante cheio de ócios

Podia pegar nas humilhações que me sujeitaram
dizer basta e tornar-me um não menos igual
e apesar das dificuldades e do esmagamento total
todos aqueles que queriam, a minha alma nao compraram

podia ter sido um "senhor" ilustre e notado
bastava aceitar as regras podres nesta sociedade
ceder aos meus valores e ser mais um comprado
em vez da humildade a que cheguei nesta idade

poder eu podia, mas nunca quis
por muito choro e dor que ja senti
quando morrer estarei muito feliz
porque nunca a minha dignidade vendi.

e assim serei sempre feliz
sem ter contradições morais
e poder ser daqueles que diz
olhai para tudo o que eu fiz.

Miro Couto

24-03-2019

18 março, 2019

SEM PALAVRAS

Tenho receio de mim, pois a minha tempestade interior
pode balançar em tumultuosa tempestade
que não haverá escala para definir nem suportar
lavando toda a incúria, toda a maldade instalada
toda a vaidade cravada nas almas decadentes
onde o ego cego tanto que não há lentes que capacitem de ver


Olho, e aquela madrugada airosa e bela que aspirava
foge por entre brumas, por entre névoas carregadas
que nos arrojam a raiva, e nos fazem com dor penar
onde a morte é um simples soprar de aragem
acometida de suaves odores perfumados a mil cores
e não o castigo acutilante por tantos reverenciado 


Olho, e a pena que me dá de nada poder mudar
que nem a força e o meu penar mais triste e ofegante
poder levar nem que fosse apenas por um instante
esta triste amargura centrada do mundo a gritar.


Abraço-me, com tenaz força impiedosa
e em vez de verso faço de propósito prosa
neste planeta em sofreguidão de amor
e deixo meus braços cair, e todos caem em meu redor.


Miro Couto
18-03-2019


07 março, 2019

Caídos não vencidos

Caídos não vencidos

Ninguém aprecia caídos
mas quando os caídos não são vencidos
esses ainda são menos apreciados
pois não se vergam, não ficam calados

Ninguém aprecia falidos
como se fosse doença contagiante
toleram esses falhados temidos
sorriem a medo por um instante

Nesta sociedade perversa o valor
não é aquilo que és por dentro
és o que mostras com glamor
e aí tornas-te do mundo o centro

Mas quando com sabedoria vives
quando com caracter e personalidade
provas a tua verdadeira indentidade
e o teu caminho és tu que decides

nem imaginas os confrontos a vencer
as migalhas que te querem oferecer
como se de um bodo se tratasse
e sorris, para a plateia como se te bastasse

e depois, em silencio meditando
quanta pena te dá essa gente convencida
que se soubessem o que semeiam na vida
quando aprenderem sofrem gritando

E aí se faz derradeira a frase que sempre usei
Se o amor é um sentimento elevado, irmão
não quero ver mais ninguém no chão
Aprendam o mais possível com o amor que vos dei.

Miro Couto 7-03-2019

Mulher (a pedido da Carla Campos) ;)

Mulher

E tu Mulher, não és costela de ninguém
és força vida de ser, em aprendizagem
que nesta vida vestiste esta roupagem
que te fará aprender sempre e mais além

És mãe, companheira, amante e vida
és um ser humano que cala a dor sofrida
de parir outro ser humano estudante
que crescerá daquele instante

És fonte de frescura amorosa
forte, e bela como uma rosa
que verte amor à sua gente
de forma sempre presente

És emoção, calor e vontade
és força feita realidade
de união do fogo eterno
pelos que ama sofre o inverno

É pilar social, da família criada
e sem ela não eramos nada
e como ser espiritual eterno
consegue acalmar o inferno.

Miro Couto 7-03-2019

22 fevereiro, 2019

O ódio entre povos a quem serve?

O ódio entre povos, quem os alimenta?
Tenho amigos de todos os cantos do mundo.
Na Europa, estão espalhados por Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Dinamarca, Alemanha, Itália, Roménia, Grécia, Rússia, Letónia, etc.
Pelo mundo, tenho amigos na China, em Macau, na India, no Brasil, em Cuba, no México, nos Estados Unidos, na Colombia, no Canadá, etc.
Todos eles se caracterizam (apesar das suas escolhas políticas e das suas crenças religiosas) por serem humanistas, serem pessoas de boa indole, de bom carácter, e de personalidades relativamente fortes, e que tem bom coração, pois preocupam.se com a humanidade.
Será que quando digo que os americanos querem roubar a Venezuela do seu petróleo do seu nióbio, do seu coltan, do seu ouro, estarei a referir-me ao povo americano? NUNCA!
Estou a referir-me aqueles que se apoderaram do poder e cometem essas canalhices, essa crueldade, essa matança pelo egoísmo de aniquilar povos e os roubar, os espoliar.
Da mesma forma, quando digo que nunca iria às filipinas, quero dizer que os povos das filipinas serão menos humanos que os outros? NUNCA! Apenas tem um louco assassino no poder, e que arbitráriamente decide quem vive e quem morre, e não gostaría de me ver num país em que não prepondera a justiça, o amor e a humanidade.
Quando vejo ódio entre povos, como foi odiada a Alemanha nazi, penso, mas os alemães que eu conheço tem alguma coisa que ver com os nazis? Ou pelo contrário são pessoas amáveis, educadas, bem formadas com vergonha do passado negro que os manchou? Sim, são boas pessoas e não tem nada que ver com os canalhas que elegidos foram crueis.
Vejo o ódio da Ucrania com a Rússia, pela sua história, pelas marcas que persistem no tempo, das ligações erradas da União soviética que fizeram escolhas erradas, mesmo alegando a defesa dos seus valores tantas vezes agredidos pelo ocidente que ainda hoje persiste em querer dominar os seus recursos naturais e até conseguiram uma perestroika, conseguiram retalhar a União soviética, para a tornar mais fácil de agredir ou de comprar corruptos apátridas para subverter os governos e poderem tomar conta dos bens naturais e do petroleo, mais uma vez.
Quando olhamos para o povo Russo, e penso logo de imediato no meu russo de estimação a viver em Portugal, vemos em todos eles pessoas erradas, estúpidas e crueis? ou temos o que eles tem, como todos os povos tem, uns mais que outros é verdade, pessoas más, estúpidas, agressivas, incultas, canalhas? Mas será que isso faz ou define todos? ou até a sua maioria? Não me parece, e eu acho que todos nós deveríamos não permitir que sejamos manipulados para odiar outros povos, para nos denegrirmos, para arranjarmos querelas, pois isso serve os intuitos dos canalhas que desejam a guerra para ficarem mais ricos ainda, à custa do sofrimento dos mais vulneráveis, dos mais fracos, dos mais pobres. Devemos agir depressa, e mudar a atitude de dizer que este ou aquele povo é assim ou assado, pela má experiência que tivemos, e devemos isso sim, dizer aos canalhas que no poder, bem colocados pelos que dominam as mentes menos preparadas, que somos todos Humanos, estejamos em que lugar da Terra estejamos, somos todos aprendizes a ser melhor pessoas, a sermos mais bondosos, mais humanos, e que em vez de ódios, precisamos de mais amor, de mais compaixão, de mais concórdia, de mais tolerância, de mais compaixão e de muito mais entreajuda. Um dia destes, irão entender do que falo, INFELIZMENTE.
Beijos a quem é de beijos e abraços a quem é de abraços, e abreijos a quem fôr de abreijos.
Miro Couto

30 janeiro, 2019

Perto do fim

Perto do fim

O Mundo está tão pesado
que me sinto sufocado
por ver tanta ignomia

tanta miséria à vista
a hipocrisia conquista
p'ra manter a mordomia

o mundo estupidificado
corrompido manietado
por canalhas sanguinários

deixa o futuro de lado
perdido no ódio rasgado
feito por seres mercenários

O Mundo está doente
ferido de forma permanente
nas entranhas, no seu âmago

e se não dermos as mãos
ateus, muçulmanos, cristãos
criando amor com desapego

Nada em breve restará
nem o Papa ou o Imã
nem soldado ou capitão

nem ministro ou general
nem rico ou pobre afinal
nem paz nem religião

nem felicidade ou pão
nem verdade ou a razão
restará apenas dor

a única possível salvação
é abraçar a população
em enormes laços de amor.

Miro Couto
30-01-2019

26 janeiro, 2019

Namorados

Namorados

Com fervente ingenuidade
num arrulhar de pombinhos
prendem as mãos em lacinhos
e fazem juras de fidelidade

aos pares e cheios de vida
trocam olhares e sentidos
com borboletas na barriga
dizem ter joelhos tremidos

os toques e beijos emotivos
sempre com olhares cruzados
amam com fulgor e ficam cativos
assim são todos os jovens namorados

fazem promessas de amores
com sonhos de cor de rosa
em paletas de multiplas cores
que singeleza mais airosa

que eterno fosse assim
esse amor que dedicaram
e que se lembrem no fim
que só vale a pena o que amaram.

Miro Couto
26-01-2019

20 janeiro, 2019

Sem verbo

Sem verbo

Há quem fale de Amor,
Há que dele se alimente
Há por aí muita gente
quem não lhe dá algum Valor


Não quero amar, possuindo
não quero amar julgando
quero amar libertando
e fazer da vida um sonho lindo


Quero ver nos olhos dos que amo
felicidade, em alegria contagiante
e que nesse mesmo instante
a seu lado, saibam ser ramo
dessa àrvore bela e radiante
que dela fizerem parte, ser gomo.


Quero assistir ao sol raiar bem alto
e sentir que sem sobressalto
vejo felizes os que bem quero
só isso calará meu desespero


Eu quero amar incondicionalmente
não nesta vida, tão curta, tão efémera
quero a eternidade nas mãos do amor
que teimará a encontrar num imenso calor.


Miro Couto
20-01-2019


07 janeiro, 2019

Desamor

DESAMOR

Porque choras distante
para dentro, num sufoco
porque bates com um soco
no pensamento constante

Será sempre dolorido amar
quando a sociedade critica
sem amor, sem avaliar
o sentimento de amor que fica

Mas que sabem eles de amor?
quantos é que o perceberam
se nasceram e até morreram
conhecendo apenas dor

quantos podem ser felizes
por serem eles, sem barreiras
serem plenos, e cheios de cicatrizes
sabem amar as companheiras

Não se vergam à sociedade
Fútil, cruel, animalizada
que para amar tens de ter idade
senão passas a canalhada.

Que raio de sociedade é esta
quem mutila o amor que persegue
que tudo critica e impede
que faz de quem ama uma besta

Podes ceder, e aceitar o que dizem
calando o sentimento mais forte
ou podes defender até à tua morte
o amor de quem te quer bem.

A escolha é sempre tua
nesta vida tão fugaz
e que cada dia que ficou atrás
perdeu-se, porque o tempo não recua.

Ama hoje, ama querida,
ama-te a ti em primeiro
ama o que desejas da vida
ama-te sempre por inteiro.

Miro Couto
07-01-2019



04 janeiro, 2019

Um copo de tinto

Um copo de tinto

Ai como eu gostaria de partilhar este copo de tinto que acabei de beber.
De poder olvidar esta sociedade podre de miséria e de conceitos
como era bom poder manter a imagem de paz, e saber
e ocultar a triste realidade de que não somos perfeitos

Como seria bom, que apenas um copo de vinho tragado
nos traria a felicidade de que não queremos abandonar
mas esse efémero tempo em que te tornas ousado
é curto, é cruel, e força a necessidade de te embriagar

Ai como são esses momentos lúdicos de amor impensáveis
nos intervalos da guerra que travamos por causa dos egoístas
em vez de permanentemente estarmos sóbrios e amáveis
sem ser pelo álcool essas tão simples e banais conquistas

Quem me dera que a euforia que os néctares promovem
de amor e ousadia contagiante, doce, amável fraterna
fossem laivos de essência que todos os dias renovem
e permitissem que todos nós tivéssemos a felicidade eterna.

Sem tabus, receios infundados ou conotações perversas
desta sociedade estúpida, cruel, maquiavélica e funesta
e poderíamos dar as mãos universalmente em festa
sem que os espinhos nos impedissem de cheirar as rosas.

Bebi por ti, por mim e por eles, que não aprenderam a amar
bebi porque me sabe a anastésico deste mundo rudimentar
e que bem me soube esquecer toda a maldade, toda a guerra
e sonhar por momentos que podemos ser felizes na Terra.

Miro Couto
04-01-2019

29 dezembro, 2018

Amizade

Amizade

Se por palavras te dei importância
não foi por fragilidade ou carência
foi por pensar que serias meu par
e poder o que me agonia desabafar


Se achaste que eras superior ou maior
enganaste-te nas palavras que usei
na forma, do conteúdo, do pendor
no amor com que sempre me doei


Confundes amizade com fragilidade
e não entendes o amor do desabafo
sentes que és melhor, e mais tarde
ganhas a humildade no meu regaço


Não te quero acima nem no chão
nem à frente ou por detrás de mim
quero-te sempre no principio e no fim
ao meu lado, junto do coração


E se me aceitas igual e fraterno
és meu amigo, irmão e companheiro
comigo seguirás no futuro eterno
e isso ninguém compra com dinheiro


A minha simples amizade doei
Mesmo àqueles que perdidos
muitas vezes sofrendo paguei
por refutar os meus sentidos


Dependendo do que pretendes
doarei a minha amizade sincera
se assim como digo não entendes
não fiques por mim à espera.


Feliz 2019

29-12-2018
Miro Couto


06 dezembro, 2018

O MEDO

É o medo que te faz ameaçar
é o medo que te faz fugir
é o medo que te faz calar
é o medo que te faz consentir

É o medo que te faz mentir
é o medo que te faz rugir
é o medo que te faz maltratar
é o medo que tens de não conseguir

O medo faz de ti um covarde
O medo faz de ti canalha
o medo faz de ti um alarde
o medo fará de ti mortalha

O medo de não ter
o medo de não ser
O medo de não fazer
O medo de não poder

Mandar o medo ter medo
porque eu medo não tenho
é esse o meu segredo
da postura que mantenho

e sem medo de morrer
o medo de mim tem medo
ponho o medo a correr
quando lhe aponto meu dedo

e sem medo e sem receio
do que possa acontecer
mostro-lhe o dedo do meio
e faço o medo desaparecer.

A vida é uma escola preciosa
quem sem medo enfrentei
ao medo eu dei uma rosa
e a merda o mandei.

Miro Couto
10-10-2018

Inverno Frio

Inverno Frio

Qual vento frio que me gela a alma inerte
pelas palavras desprovidas de calor
gretam as veias que maculadas de não ter-te
em sentimentos que gritam silvos em redor


podem palavras serem facas afiadas
com que seus gumes separam sem pudor
os corpos etéreos das almas perfumadas
que há muito se perderam por amor


chovem a lágrima há muito por nós deixada
que do vazio escorreita azedume
numa paixão que foi tão dada e delicada
com marcas de ferro quente feito lume


o que perdemos pela estrada que escolhemos
tão sofrida sem prazer, sem alegria
em que destino talvez nos encontremos
para recordar toda a emoção que de nós saía


e podem versos em poemas deslumbrantes
cantar as almas perdidas no seu encanto
que apesar do amor que foi de instantes
reter eternos sentimentos que eu canto.


Miro Couto
06-12-2018



28 novembro, 2018

gota d'àgua




Gota De Água


Fui à fonte beber água

Achei um raminho verde

Quem o perdeu tinha amores

Quem o perdeu tinha amores

Quem o achou tinha sede



Dá-me uma gotinha d’água

dessa que eu oiço correr,

entre pedras e pedrinhas

entre pedras e pedrinhas

alguma gota há-de haver



Alguma gota há-de haver

Quero molhar a garganta

Quero cantar como a rola

Quero cantar como a rola

Como a rola ninguém canta



Debaixo da oliveira

Não se pode namorar

Porque a folha miudinha

Porque a folha miudinha

Não deixa passar o ar [rires du public]



Dá-me uma gotinha d’água

dessa que eu oiço correr,

entre pedras e pedrinhas

entre pedras e pedrinhas

alguma gota há-de haver



Alguma gota há-de haver

Quero molhar a garganta

Quero cantar como a rola

Quero cantar como a rola

Como a rola ninguém canta



27 novembro, 2018

Um dia

Não queria ter-te em mim,
porque em mim eu já te tenho
tenho a força, o segredo do fim
de saber onde vou e de onde venho

Como um jogo de xadrês
onde as peças ficam juntas
perdemos uma e outra vez
e perderemos mais quantas?

até que um dia, em vez de jogo
seremos em plena união
um só vontade de fogo
os dois presos p'lo coraçao

pode a vida querer forçar
desviar da rota que seguimos
qualquer a que iremos traçar
leva aos mesmos destinos

Um dia, em paz diremos
as histórias que passamos
outras vidas que faremos
onde outrora nos amamos.

Miro Couto

27-11-2018

04 novembro, 2018

Site de compras on line

Site de compras on line sério.
Já o testei de varias maneiras e em caso de nao entrega devolvem o dinheiro integral.
Vale a pena.


https://www.vova.com/pt/login.php?ivtk=qbAGF&ivcr=5



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11 outubro, 2018

Virginia Moura

Virginia Moura

Com a força da razão
Em defesa dos caídos
A luta não foi em vão
Pois eles foram vencidos


Virgínia arquitectava
Junto com o seu Lobão
Uma guerra que lavrava
Do ódio contra a razão 


Nasceste onde nasceu
A alma Pátria portuguesa
Foste uma luz que no breu
Provou a sua grandeza


De Moura tens apelido
A rebeldia, a tempestade
Da areia que movia
Toda essa tua vontade


Resistente antifascista
Cheia de amor e paixão
Deixaste o teu sorriso
A esta grande nação


Partiste, missão cumprida
Em paz com o teu legado
Doaste demais tua vida
Eu deixo-te este meu fado


Miro Couto
11-10-2018

10 outubro, 2018

Citação

A poesia é a exaltação dos sentidos assim como a música é o leito que a embala.
Miro Couto

Apetece-me

Apetece-me

Apetece-me desistir de puxar carroças
ocas, vazias, sem humanidade sem amor
apetece-me calar todas essas bocas
que escrevem carregadas de rancor

apetece-me que as urtigas apanhem
e num momento por elas sejam despertas
que os picos singelos as amanhem
e preencha essas mentes desertas

apetece-me descansar desta luta
onde a banalidade atroz impera
onde reina todo o filho da puta
esmagando quem desespera

apetece-me mas não posso desistir
sob pena de um dia cá voltar
e por desgosto voltar a encontrar
parados no tempo a insistir

no erro, na maldade, no pavor
na falta de moral e de amor
na desumanidade, da imensa dor
que permite a maldade do actor

Apetece-me que as ondas venham já
que os terramotos os tirem de cá
que tsunamis libertem o mundo
e limpem de vez, pois está imundo.

Miro Couto
06-10-2018

20 setembro, 2018

Poder eu podia

Poder eu podia 

Podia cá estar, podia dizer
onde é que a vida nos vai meter
podia calar, podia rezar
e podia não ter mais que fazer


podia dançar, podia comer
podia amar e podia prazer
podia pular, podia beber
muita bebida para esquecer


poder eu podia, mas isso não queria
que a vida sem isso, tem imensa magia
não poder saber, nem sequer imaginar
o que ela nos tem para oferecer e p'ra dar


saltito aqui, rolando dali
rebolo sem ter rolo e sem ir a Bali
com passo de mestre, e de dança que ri
arranco o sorriso que queria de ti


de passo gingão e olhar bonitão
eu pisco e re pisco o olho pimpão
de braço a cintura, olhar de brandura
afago o teu corpo cheio de candura


poder eu podia, mas isso não queria
que a vida sem isso, tem imensa magia
não poder saber, nem sequer imaginar
o que ela nos tem para oferecer e p'ra dar


Miro Couto
20-09-2018

15 agosto, 2018

Esgotado

Esgotado

Primeiro soltas um suspiro e ninguém o ouve
depois, afagas os cabelos com as duas mãos e ninguem percebe
vais ruminando a amargura e o cansaço que alguém roube
e sempre pronto para te doares e toda a gente recebe


gastas a energia em simpatia, força e firmeza pétrea
alentas tudo o que se cruza e consegues ve-los
doas o teu coração e como numa chama éterea
afagas as tuas mãos numas bolas de pelos


resistes, hoje, amanhã, depois e muito tempo
ninguém vé, porque o suspiro é teu lamento
e isso não merece atenção, carinho ou cuidado
porque quem suspira, ainda não está desesperado


Resistes mais e mais dias sem esmorecer, sem cair
resistes até que alguém perceba e possa entender
o teu cansaço, a tua amargura, o teu sofrer
e só percebem, quando esgotado decides fugir


aí, aí sim, és um covarde, alguém que é queixoso
és um traste, es perdulário e pecaminoso
és fraco, convencido, canalha, vilão
és tudo o que eles quiserem, ou Não.


e quando decides optar por te manter em pé e dizes basta
todas as estruturas onde supostamente te apoias vão ruir
mas entre ficar doente, irritado, respondão à tua casta
foge, porque a única saída para sobreviveres é fugir
sem te afastares e sem deixares de dar o apoio que te resta
mas salvando a tua sanidade mental para o porvir


Antes doido, que louco. 

Beijos a quem é de beijos e abraços a quem for de abraços

Miro Couto
15-08-2018

03 agosto, 2018

Serás tu

Serás Tu

Vou andando por aí a procurar
a raiz da paixão que me refresca
a fragrância mais cheirosa que encontrar
é o cheiro da tua pele que me resta


no caminho que percorro a saltitar
e dos jardins floridos já colhi
mas nenhuma das flores tem o ar
que sempre respirei em ti


deambulo pensativo e errante
emerso num clamor de nostalgia
espreito essa frincha atentamente
mas nunca vestígios de ti via


quando à noite em sonhos me visitavas
com ofertas de amor em poesia
rasgava os sonhos que em mim sonhavas
e ficava a espera de viver esse dia


hoje já não sei em que acredito
se nos sonhos que outrora eu sonhei
se apenas alimentei um enorme mito
e só fui eu que te amei


e do amor que verti com vontade
a ferro quente marcado na minha alma
no coração guardado pela metade
pois é metade que me acalma


e nesta ou noutra vida quem sabe
voltaremos a partilhar esse aroma
ou quem sabe ainda saio do coma
e em breve outra maior janela se abre


Miro Couto
03-08-2018

21 julho, 2018

E foi amor

E foi amor

Foi encontro sem prever
que em mim fez nascer
Um amor forte e profundo
efémero momento lindo
que em meses se deu findo
mas do mais belo do mundo


Chegaste sem dizer nada
e de cabeça encostada
no meu ombro e na canção
fizeste o seu ritmo feliz
o compasso de firme raiz
que rasgou meu coração

Longe vão esses tempos
qual oração que fazias
que por mim também pedias
no esforço que passava
quando por nós eu lutava
e só eu sei que sofrias

hoje ainda reconheço
que quando os donos do berço
nos impõe as aparências
fica o amor amarrado
o sentimento destroçado
servil ás cruéis exigências.

O amor não tem barreiras
não tem idade ou fronteiras
não tem credo é colorido
tem o coração doado
tem a alma do seu lado
mesmo quando é partido.

Miro Couto
21-07-2018

08 julho, 2018

Quantas vezes vida

Quantas vezes vida

Quantas vezes apeteceu
quantas vezes que doeu
quantas vezes se ergueu
quantas vezes se perdeu

Quantas vezes se chorou
tantas quantas se amargou
quantas vezes se amou
quantas vezes se largou

quantas vezes se caiu
quantas vezes se fugiu
quantas vezes se pediu
quantas vezes te mentiu

quantas vezes são precisas
para atingir a paz e felicidade
quantas lições de vida necessitas
de levar para a eternidade?

quantas dores de parir
de te fazer renascer
te levaram a ruir
te levaram a entender

quantas escolas fizemos
ao longo das nossas vidas
somos sempre o que sabemos
nas metas por nós cumpridas.

Miro Couto
08/07/2018

06 julho, 2018

O errado devo ser eu

O errado devo ser eu.

O errado devo ser eu
torturam-se em arena animais
e a aprovação que se deu
faz-me sentir que estou a mais


A miséria instala-se com a indignidade
a dor nas famílias cheias de precariedade
o inverno que passaram frio que a EDP nos deu
vejo todos calados, e quem berra sou eu


Vejo a corrupção activa que nos destrói
vejo os hospitais num caos que nos dói
vejo banqueiros a roubarem os bancos
vejo assaltos a armas como em tancos


da justiça não se pode reclamar, dá prisão
que os juízes são quem manda na nação
e não nos permitem defender a nossa razão
prendem as pessoas por delito de opinião


dos governos sucessivos que espoliam o orçamento
vejo poucos a protestar contra, em descontentamento
e a maioria cala, consente sem reclamar, está no céu
e de certezinha absoluta que o errado só posso ser eu


e dizem as vozes supostamente contentes
que desligam de quem sempre reclama
que somos uns coitados permanentes
e quem protesta, quem berra, não ama


eu devo por fim dizer-vos que estou errado
quando defendo com clamor desesperado
uma vida de dignidade para todos nós
com verdade, justiça, saúde e pão
com humanidade que a constituição prometeu
mas já não tenho dúvidas, que quem está errado, sou eu


Miro Couto (a curtir o mau feitio com que nasceu)
06/07/2018

28 junho, 2018

És o meu fado

És o meu fado

Peguei no teu sorriso
meti no bolso e levei
e quando dele preciso
pego nesse teu sorriso
do bolso onde guardei
e quando dele preciso
pego nesse teu sorriso
do bolso onde guardei

há dias em que me embalo
cantando a nossa canção
mas a dor do intervalo
pede para cantar e calo
e rezo-te uma oração
mas a dor do intervalo
pede para cantar e calo
e rezo-te uma oração

Se te vejo a caminhar
nesse teu passo ligeiro
dou por mim a perguntar
como não se pode amar
o teu sorriso primeiro
dou por mim a perguntar
como não se pode amar
o teu sorriso primeiro

mal chega a noite suspiro
por te abraçar por inteiro
dos beijos que em ti respiro
e dos sorrisos que te tiro
são laços de corpo inteiro
dos beijos que em ti respiro
e dos sorrisos que te tiro
são laços de corpo inteiro

quando chega a madrugada
deitado ao teu lado e feliz
fica em mim sempre guardada
a tua alma em mim colada
nessa tua cara feliz
fica em mim sempre guardada
a tua alma em mim colada
nessa tua cara feliz

Se um dia perderes o sorriso
leva a chave do meu peito
e a lembrança que preciso
é saber que concretizo
e o que te fiz, fiz bem feito.
e a lembrança que preciso
é saber que concretizo
e o que te fiz, fiz bem feito.

Um dia talvez grave isto com guitarras e violas.
Miro Couto
28-06-2018

Luz Casal - Piensa En Mi

22 junho, 2018

Se eu morresse hoje

Se eu morresse hoje

Se eu morresse hoje, diria:
que tudo fiz para encontrar este mundo melhor quando voltar
Que ajudei aqueles que podia, mesmo quando a alma estava a rebentar
Nada me pesa na caminhada feita durantes estas décadas que vi passar
Os outros que perderam os seus sonhos, como eu, não deixei de acalentar
Ao desesperado grito dos desamados e combalidos sempre quis eu levantar
Aos que á minha frente iriam ser humilhados, eu não permiti humilhar
Aos viciados perdidos, tentei sempre encaminhar
Aos dementes enraivecidos, confrontei e tentei acalmar
Aos que se faziam vencedores dos  fracos, mostrei-lhes outro patamar
Aos ricos empedernidos, com egos indefenidos, mostrei-lhes o meu olhar
Aos pobres mais esquecidos eu gritei e fiz lembrar
dos muitos que são convencidos, consegui fazer chorar
Aos que choravam de dor, eu consegui alegrar
e a mim, enumeras vezes, do chão me fiz levantar
com as ajudas invisíveis, que me estão a ralhar
quando digo que já chega, do remédio que estou a tomar
que me deem outras tarefas, outras batalhas onde possa sustentar
a alegria contida, o humor amarrotado, e felicidade se amar.

Se eu morresse hoje, nada teria a lamentar.

Miro Couto

22-06-2018

21 junho, 2018

Uma história doce

Uma história doce

Do sorriso lindo dos teus olhos guardo imagem
quando no meu ombro a alma descansavas
em paz e sem guardas comigo estavas
pronta para comigo fazer longa viagem

A felicidade nas trocas de afectos sentidos
raiava a luz imensa que nem o sol consegue
eliminava a razão dos ânimos vencidos
gerava sonhos que todo o homem persegue

Eras flor, com asas livres e frescos aromas
eras rainha da razão que me vertia
era tábua de salvação da noite fria
que me roubava a dignidade nas suas brumas

foi efémero esse deleite abençoado
que me conquistou pela doçura de amor
que preocupado com o meu estado
auspiciava união de muito valor

Enquanto durou foi eterno foi, além
foi doce, paz, alento que desconhecia
pois nunca partilhei com mais ninguém
sentimentos que saíram de magia.

Hoje lembro os lábios doces de meiguice
as ternuras e carinhos abençoados
nos momentos curtos em que nada se disse
porque muito falávamos bem calados.

Um dia, ou noutra vida saberei
que verdade se impôs e a razão
que esfumou todo o amor que dei
mas quem ama, não necessita de perdão

Miro Couto
21-06-2018

30 maio, 2018

Nesse dia

Nesse dia

não sei o que a vida te diz a ti
nem sei o que mais posso esperar
só sei que tudo aquilo que vivi
doeu mas ensinou a despertar

não sei que mais alento posso dar
nem sei que mais fazer em oração
só sei que assim parado não irei ficar
porque a esperança me há-de dar razão

queria que ouvisses o meu grito
que sentisses o lamento em minha voz
da força de amar fiquei perito
mesmo quando amar é ficar a sós

Queria ter-te aqui sempre a meu lado
neste caminho sinuoso e muito agreste
queria mas não posso duvidar
das razões do caminho que escolheste

agora só a fé me indica o dia
para o alvorecer da minha alma
e apesar de a sentir muito fria
há-de chegar o calor que a acalma

nesse dia mágico brindaremos
em paz, amor e serenidade
dos abraços que um dia demos
e que deram imensos anos de saudade.

Miro Couto

16 maio, 2018

A Minha Quinta Sinfonia Paco Bandeira (com letra) with lyrics avec parol...





5ª SINFONIA



Paco Bandeira




Quando me lembro quem eras

Desse corpo que foi nosso

Desse amor que não deu certo

Era o tempo das quimeras

Das palavras em silêncio

Quando o mais longe era perto

Tinhas nos olhos a esperança

Os desejos de aventura

As ilusões que eram minhas

Nos momentos de ternura

Tinhas os seios a graça

Das primaveras que tinhas

E foste a música que em mim ficou

Quando a distância nos fez separar

Ando louco para te encontrar



Foste a quinta sinfonia

Fuga da nossa verdade

Sonata tocada em mim

Foste o meu sol afinado

Neste samba de saudade

Vinicius, Nara e Jobim

Foste verso de balada

Foste pintura abstrata

Meu bolero de Ravel

Foste música sonhada

Numa canção de Sinatra

Com um poema de Brel

E foste a música que em mim ficou

Quando a distância nos fez separar

Ando louco para te encontrar



Foste estrela de cinema

Minha dama de Xangai

Hiroxima meu amor

A minha grande ilusão

Eras fúria de viver

Quanto mais quente melhor

Grande amor da minha vida

Senso, silêncio, paixão

Buñuel, Fellini, Troffaut

Foste luzes da ribalta

Música no coração

E tudo o vento levou

E és ainda o que me faz sentir

Dentro da vida p'ra te cantar

Ando louco para te encontrar

Para te encontrar....

13 maio, 2018

Sonhem

Sonhem
que os sonhos e fantasias aconteçam
na vida de quem tem muita alegria
e que os santos todos a quem peçam
se juntem em perfeita sintonia

que pulem os cercados e ribeiros
de silvados selvagens e agrestes
que apreciem plátanos e pinheiros
e a beleza das folhas que os vestem

que a luz e o calor sempre fraterno
inunde a nossa alma fustigada
pois mesmo o tempo sendo eterno
a vida sem alegria e amor não vale nada

que chamas em pavios incandescentes
transmitam sentir mais humanidade
e o ar quente do amor que palpita a liberdade
seja a felicidade de que estamos carentes

Miro Couto

Caminhando

Caminhando

Caminhando
Vem, dá-me a tua mão
faz comigo a caminhada
mesmo que laves a calçada
com lágrimas do coração


vem, canta baixinho
faz o teu caminho
comigo de mão dada
e não desistas de nada

salta em colcheias de vibrato
embala-te no sal do desacato
do mar das emoções carnais
e brinda a vida como os pardais

Vê o explendor que luzia
quando nasce a luz do dia
e amanhece sem pedir
recomeça sem lamento
reforça o teu sentimento
de que tudo irás conseguir

Mas se quiseres chorar, chora
mas chora antes de vires embora
para abraçar a felicidade
mas vem depressa, corre
da passos firmes, e sonha
que os sonhos não tem idade

nada temas no caminho
nunca te deixo sozinho
na solução que resolva
a vida pode romper-te
pode esmagar e mover-te
ao passares por esta prova

mas no fim, sim no fim
verás o que conseguiste
das lutas que não fugiste
e que venceste sem fim

e poderás com alegria
levar com harmonia
o amor que conquistaste
esse que já encontraste.

Miro Couto
(esta foi para mim, e sim os dedos foram os meus)