02 junho, 2020

Perda

Perda

E vieste assim,
Até perto de mim
numa hora


eu olhei para ti
e aquilo que vi
já não chora


eu fiquei emocionado
com a diferença que assisti
mas as palavras que dei a ti
me deixaram reforçado


e depois que te vi
foste embora e eu senti
que perdia


mas depois, percebi
o que sentia por ti
me ardia


dei por mim amarrotado
sem ter chão nem um rumo
e a alma como um pano rasgado
ardia e fazia fumo


aprendi entretanto
que nada serve o pranto
do que se perde


e que vida portanto
é lição que eu canto
e a todos serve.


Miro Couto
02-06-2020

18 maio, 2020

Para uma mulher

Para uma mulher

Ser mulher, ser mãe, ser avó
Ser braço, força, rebelião
ser vida, ser coragem e ter dó
passar mensagem sem servidão

Cria barreiras, muralhas, defesas
cria anti corpos que atropelam
e os exemplos que se ganham
colados de muitas incertezas

as auroras do querer o bem dos seus
quebrando todas as barreiras
rasgando ventres e maneiras
que acabam nas mãos de Deus.

Miro Couto

25 abril, 2020

Liberdade

A liberdade não é apartidária,
pois há partidos que a querem esmagar,
que a querem sonegar,
que a querem amordaçar.

A liberdade é uma candeia,
que dá mais luz a quem a semeia,
a quem faz frente ao breu
a que sempre disse não
a tempos de escuridão!

A quem por ela morreu
e a quem muito sofreu
para hoje se poder cantar
e com liberdade amar.
Miro couto

Resposta ao post da Claudia Leal

Se morrer amanhã

Se morrer amanhã


Se eu morrer amanhã, não chorem
Riam, e riam com a força que puderem
a vida que passei aqui, foi digna, vertical
aprendi, chorei e sofri, e não lhes levo a mal

passei por escolas que não sabia existirem
que tantas lições duras me foram dadas
e apesar de não as dizer abençoadas
pois levaram muitos outros a desistirem

as que não nos puseram de costas curvadas
nos leva a todos a viver e a persistirem

Não haverá razão a tristeza, pois venci
venci aquelas provas de ingratidão
de amores que não passaram de ilusão
de vitórias épicas, a mim, nunca a ti

A maioria tem medo da morte que vem
Mas deveriam ter mais medo, pavor
Do que fazem enquanto vida tem
de em vez de darem amor, semeiam dor

E como sempre fiz na minha vida
dei amor a quem nem o merecia
dei alento a todo o que sofria
dei coragem a muita alma perdida

Fiz o que pude da vida que me deram
se mais não fiz, foi porque não consegui
e mesmo aqueles que me perderam
um dia, para eles, estarei aqui.


Miro Couto, 25-04-2020

19 março, 2020

25 de Abril 2020

25 de Abril de 2020

25 de Abril, sinal de revolução
Foi movimento, foi libertação
Foi sonho, esperança sadia
foi promessa, falada e vazia

Foi criança abastada
que deu luz e eliminou a pobreza
hoje é candeia apagada
Corrupta que semeia tristeza.

Foi poema, foi canção
Foi alegria feita coração
foi liberdade, foi grito
foi paz, amor e foi bonito

Hoje, as sementes podres
voltam a roubar o povo
instalados nos poderes
criando miséria de novo.

Este povo não acorda
nem com a miséria como sova
nem com a falta de amor e páo
e nem força já possui de rebelião

Apagados, covardes submissos
sem cidadania sem compromissos
com o futuro e com a juventude
São pobres de cultura e de atitude.

São seres sem veia nem alma
que envergonham os ancestrais
que tanto lutaram pelos demais
que hoje se afogam na calma

25 de Abril? Não era uma data
era um prelúdio de vida
de sonhos, fantasias de amor
que se tornou numa marca de dor.


Miro Couto 19-03-2020

05 março, 2020

Portugal dos imbecis

Portugal dos imbecis

Tantos sonhos que criamos
para um futuro melhor
Tantas guerras que travamos
de lágrimas sangue e suor

tantas mentiras engolimos
dos canalhas que de novo
com peles que não vestimos
roubam e esmagam o povo

tantos medos que voltaram
por bipedes de forma humana
são vermes que nos mataram
e nos dão a dor que esgana

Um dia, sim um dia futuro
outras mudanças faremos
sem canalhas de ar duro
e com amor nos daremos.

Abraço enorme a ti guerreiro Jorge Carvalho (Pisco)

23 fevereiro, 2020

Ai meu rico cu

Ai meu rico cu

Dizem que um quistito perto ao rabito nos faz doer
Dizem que quando inflama, a dor aguda nos faz gemer
Dizem que só com analgésicos param as dores
mas quando o retiramos e operamos são bem piores

Dizem que são uns pelos que encravados nos faz sofrer
Dizem que inflamados a dor aguda é bem pior
Dizem que só cortando desaparece esse penar
só não dizem que quando se opera a dor nos poe a cantar

Ai meu rico cuuuuu
Que dóieeeeeeeeeeeee
Ai meu rico cu doendo
Ai meu rico cu, não chore
Ai meu rico cu, lamento

Dizem que um analgésico alivia toda essa dor
Dizem que quando passa há um alívio melhor
Dizem que ganhas um novo andar quando levantas
e que quando te sentas gemes sempre até as tantas

Ai meu rico cú, doendo
Ai meu rico cú, sofrendo
Ai meu rico cú, não chores
só não quero que, piores...

25 dezembro, 2019

Despedida

Despedida

Eu disse nas tuas mãos quentes nas minhas
que o meu pobre coração seria teu
Passaram tantos anos de seres minha
que já nem me lembro quem se perdeu

remexo na memória do nosso amor perdido
pelas fotos que de ti guardei
conservo em mim todo o fervor
do dia em que por ti me apaixonei

desejo em tua ausência a felicidade
plena de amor minha querida
de sorriso aberto com claridade
sejas amada sempre e toda a vida

Um dia quando formos ja só alma
de energia enlaçada e sem véu 

saberemos a razão da nossa chama 
ter perdido o caminho para o céu 

 Agora despedindo-me de ti 
seguirei outros passos outras flores 
pedirei a Deus que te guarde em Si 
tal como eu te guardo sem rancores.

 Miro Couto 26-11-2019

20 dezembro, 2019

26 novembro, 2019

O Natal

O Natal

O que queres no Natal?
Pergunta que empobrece
como se fosse o Natal fosse deles
e não de quem se enaltece

Quem faz aniversário pelo Natal?
Eu, tu, ou sei lá quem mais
qual de vocês pensa que é o Tal
Que deu origem aos Natais?

Então que prenda quereria receber
aquele que queremos louvar
será que um dia iremos perceber
as prendas que devemos dar?

Que prendas Ele deixou
esse que dizeis louvar
a não ser que se doou
àqueles que o foram matar

Deixou eterno legado
de valores, de metas morais
e teimamos em trocar tudo
e damos prendas banais

ser fiéis aos seus valores
nas prendas que Ele queria
era que levassemos alegria
a quem sofre com dores

E dando as mãos em auxilio
a todos os que nos cercam
nunca mais haveria exílio
nos homens que se maltratam

Fazei um Natal diferente
e pensai só em Jesus
olhai para toda a gente
como um Cristo na Cruz
e amai incondicionalmente
como aquele que com amor nos conduz.

Miro Couto
22-11-2019

Assim

Pobres cheios de dinheiro
que cultos podiam ser
são a prova por inteiro
de quão rico é saber

Miro Couto
26-11-2019

19 novembro, 2019

Sr. Político

Sr. Político

Que me importa o que tu dizes que pensas
se a ninguém queres ajudar
que me importa as luzes de ribalta que carregas
se não tens nada que com a morte possas levar

Que me importa a tua pujança altiva
se és apenas mais um canalha no mundo
que não te compadeces da vida aflitiva
das pessoas que em miséria, vivem no fundo

Quem és tu engravatado, cheio de peneiras
que enganas multidões com falsas ideias
que prometes mundos e fundos em rasteiras
a todos os que em ti votam de seguida sacaneias!

Quem pensas tu que és bicho fedorento
que usas perfumes caros a tapar o cheiro pestilento
que a tua alma larga em fumaças persistentes
libertando o odor dos teus falsos presentes.

Muda canalha, se homem, se HUMANO
não roubes, não enganes mais este povo
tem dignidade, e se homem por todo
tem honra, e coloca esse poder insano
ao serviço dos que pedem um mundo novo
em que a felicidade seja servida em branco pano.

Miro Couto
19-11-2019

18 novembro, 2019

Importa SER

Importa SER

Quando as tuas mascaras caírem
e mostrarem quem tu verdadeiramente és
o teu fulgor carregado de desdém
cairá bem a teus pés

Quando se ler o teu pensamento
em que ocultas a intrínseca essência
deixarás de poder usar o lamento
e receberás com dor a consequência

Quando a verdade que mentes
já não puder ser ocultada
colherás todas as sementes
e do sofrimento serás culpada

Não mascares o que és
não enganes a família e amigos
deixa lá a fantasia aos pés
não olheis mais p´rós umbigos

Amai o que sois em verdade
corrigi aquilo que errais
semeai com muita bondade
o amor a todos os demais

E vereis a cada dia
Um sorriso amoroso
Uma alegria que pedia
o teu irmão mais choroso

E sê feliz só por isso
Sé completo de alma
quando lavras um sorriso
ganhas amor e a calma

Ganhas a paz, amizade
Ganhas a cordialidade
de poder chamar irmão
A quem hoje deixas no chão

Porque o nosso dever
é ajudar a quem cai
é levantar com prazer
a quem a força se esvai

é dar amor com amor
é dar alegria infinda
é da vida ter sabor
que não conheces AINDA.

Miro Couto
17-11-2019

09 novembro, 2019

O Sol e a Lua

Sol e a lua
Não sei que posso fazer, p'ra ver alegria
só sei que sempre me dei e nunca te via
queria tanto dizer-te, com voz de meiguice
que te abraçaria sempre que te visse
os trilhos por onde passamos, já não são cruzados
agora são apenas memórias dos tempos passados
pudera eu mostrar, toda esta ansiedade
de te querer ver sorrir com vontade
vontade feliz, sem ter amarguras
nem passados tristes e as desventuras
apenas sorrisos, apenas verdade
com rostos sadios, em qualquer idade.
Perdi no tempo passado memoria infinita
e agora já nem me lembro do nome da fita
do filme sincero, de amor e ternura
tudo era doce e bela energia pura
talvez um dia possamos lembrar, à luz da lareira
aquilo que foi para mim, mais que a vida inteira
o doce perfume, a suavidade do rosto
o afecto sentido, dum abraço ao sol posto
e ao raiar do dia, onde o amor se prende
sentir que o sol afinal, também se rende
e deixa a lua, ter o seu melhor esplendor
Pois só quando se doa, se poderá ter amor
Miro Couto
09-11-2019

31 outubro, 2019

Passagem

Passagem

Eu vi uma menina triste que me sorria
triste por dentro mas com um sorriso de alegria
triste da vida, das lutas que não vencia
das guerras verbais que não entendia

Eu vi essa menina triste sorrir e calei-me
senti a força interior de um vulcão
percebi a dor que trazia no coração
olhei bem os olhos e aproximei-me

dei parte de mim, no seu consolo
dei as palavras que lhe serviram de colo
dei o meu braço, e com muita emoção
vi renascer amor, amizade e perdão

hoje a menina sorri mais alegre e feliz
luta pelas coisas que a fazem contente
as brigas de ontem, não cortaram a raíz
mas estão a secar muito lentamente

amanhã, que sei que estará bem
partirei rumo a outra direcção
outras pessoas virão também
para eu guardar no coração

e assim de fase em fase, deixo a vida
semeando o pouco que sei e possuo
andando em frente sem nenhum recuo
até ser memória, numa estante perdida

e se conseguir estes registos comigo levar
serei feliz, porque me irei sempre lembrar
dos momentos passados neste planeta
na viagem que farei feito cometa.

Miro Couto
31-10-2019

24 outubro, 2019

É muito tarde

É muito tarde

Que as sementes do amor desabrochem
adubadas com abraços e beijos sentidos
que haja compaixão dos sem abrigos
e os alforges de miséria se esvaziem

que a vida ganhe sentido e felicidade
que o amor nunca se perca na idade
e os afectos possuam carimbo forte
e que a união humanitária ninguém corte

que os laços de amizade sejam elos
de aço cimentado com imenso fervor
que a vida cinzenta ganhe muita cor
e os que eram brutos sejam singelos

Que as almas percebam a essência
desta vida que lhes foi oferecida
que cultivem por demais a paciência
onde antes era forma agressiva

é muito tarde para não agarrar a vida
e fazer dela o mestrado que nos falta
onde amar seja a mais bela partida
e no exame, passemos com nota alta.

Miro Couto
24/10/2019


28 agosto, 2019

O Medo

O MEDO

Se soubessem o medo que o medo tem
de quem não tem medo
Percebiam o meu sagrado segredo
de não ter medo de ninguém

O medo só tem poder,
de quem dele o alimenta
cresce e toma conta
a quem frente não lhe fizer

E o medo em qualquer idade
ficas sempre prisioneiro
agarrado ao medo inteiro
sem vida e sem felicidade

O medo também tem medo
de quem o medo não tem
e esse é o segredo
Do amor, de se estar bem

Enfrenta o medo com força
Com sabedoria e amor
E o medo terá pavor
Do teu sorriso de troça

Porque os medos que guardamos
São amargos e tristonhos
e quando o medo afastamos
Seremos sempre risonhos

Venham eles quantos são? Até os comemos!

Miro Couto
28-08-2019

28 julho, 2019

A ti Vida

Quando lembro a tua imagem
não sei definir os contornos faciais
porque o registo que ficou em mim
foi a flor da alma de cheiro jasmim
que brotava de formas brutais
que fazia viagens plenas sem fim

não lembro da roupa que vestias
mas do sorriso carregado de amor
da ternura do toque e da cor
rosácea na vergonha que temias

Do carinho suave e ternurento
de poisar os sentimentos no meu braço
quando a partilha sentida do momento
no encosto da cabeça em teu regaço

Difícil seria esquecer essa beleza
feita eterna ligação espiritual
perpetuada pela tua franqueza
nesta pequena passagem temporal

e rasgo em mim a vontade
de pedir a todos os santos
que nunca te falte a verdade
protegida em todos os cantos.

E um dia quando partir
feliz por ter conhecido
e ter sabido sentir
um grande amor proibido.

Miro Couto
28-07-2019



03 julho, 2019

Pensamento

Se alguém te tratar como se fosses um imbecil, não te zangues, essas pessoas estão cercadas de imbecis e acham-se iluminados, porque já não conseguem atrair pessoas inteligentes.
Miro Couto
03-07-2019

23 junho, 2019

São João


São João

Pedir ou orar será um castigo
ao governo e ao São João
que dêem comida aos sem abrigo
e uma condigna habitação

as sobras do que estragam e roubam
chegavam a acomodar com humildade
os que sem nada ainda mais poupam
não conseguem paz e serenidade

e da fartura que assola
as casas mais abastadas
há alguém que se consola
com batatas estragadas

e a dor do meu semelhante
assolada no meu peito
deixa-me triste semblante
nesta sociedade que rejeito

e de prato cheio de nada
olho sempre à minha volta
e vejo outros homens à solta
em prisões de fome enganada

E de tristeza em tristeza
nesta sociedade doente
apenas fica a grandeza
do que no chão é resiliente.

Por amor a todos eles
com a alma em pedaços
oro e peço aos governantes reles
que sejam humanos, PALHAÇOS!

Miro Couto
23-06-2019

18 junho, 2019

Animalidade versus espiritualidade

A Humanidade é o intervalo entre a animalidade e a espiritualidade

Como seres evolutivos que somos, viemos ancestralmente da animalidade e caminhamos para a espiritualidade. Se quisermos perceber a distância que nos separa do ponto de partida, e o que nos falta para o ponto de chegada, basta analisar o nosso comportamento perante o que nos cerca, pessoas, coisas e animais, e como quando estamos em provação, reagimos.
Entre um estado e o outro, existe também a diferença entre a inteligência e a esperteza, pois o que ainda está preso aos laços da animalidade, tudo aproveita, mesmo calcando os outros, ou quando os outros não se apercebem, enquanto o inteligente sabe que se assim agir, um dia terá de aprender com sofrimento, os erros que comete.
A esperteza, própria da animalidade, faz com que alguns seres tentem ser melhores, mais ágeis, sem se preocuparem com o resultado das suas acções nos outros, desde que sejam vencedores, ao contrário, os inteligentes procuram obter o sucesso, sem que isso magoe ou prejudique alguém, e se possível que beneficie a maioria dos que coexistem com ele.
Quando saímos fora da nossa "ilha" e olhamos bem para ela, e a conseguimos analisar com frieza sem egos, percebemos perfeitamente o que ainda temos de percorrer para atingir a meta, e não é errado estar atrasado, o errado é persistir no atraso, e não mudar para andar em frente e ganhar a cada passo mais graduação evolutiva.
Não posso culpar um cão de morder pois está no seu instinto de defesa, assim como não posso rebaixar um ladrão porque ele ainda não sabe ser melhor, mas tenho o dever se lhes mostrar o erro, com firmeza e mostrar na prática com exemplos que não é esse o caminho.
Somos todos ainda imperfeitos, e aqueles que nos chamam a atenção para as nossas imperfeições com firmeza e por amor, são aqueles que mais se preocupam connosco, pois são aqueles que são a nossa bússola na rota que teremos forçosamente de percorrer, pois ninguém ao longo dos milénios, ficará estacionário, na animalidade, e todos caminharão para o amor universal, para a espiritualidade.
Eu tento mudar aquilo que me atrasa, e isso requer esforço, abnegação e humildade, mas, a alegria de vencer essas muralhas, chama-se felicidade.

Miro Couto
18-06-2019

13 junho, 2019

Gladiadores de Hoje

O gladiadores de hoje

Os gladiadores de hoje
não usam espadas 
nem escudos de metal
não matam escravo que foge
nem fazem aos leões largadas
nem assassinam de punhal

Não usam quadrigas e lanças
nem redes feitas de Sisal
chicotes de couro ou mangual
machados e capacetes de tranças

usam adjectivo pronome e verbo
sabedoria, integridade e inteligência
amor, simplicidade com acervo
e muita capacidade de resiliência

Os gladiadores de hoje querem paz
defendem os caídos em sargeta
esmaga canalha que se acha vedeta
e para ele condenado, tanto faz

denunciam com palavras e poemas
cantam revoltas feita indignação
transformam a dor em oração
aliviando as mais duras e cruéis penas

mostram verdade carinho e atenção
fazem ver que se pode amar o mundo
pessoas, animais, toda a criação
e dar beleza a este planeta ainda imundo

são guerreiros mentais poderosos
não vergam, nem são ociosos
nos propósitos morais elevados
caem, choram, desanimados

e de seguida, erguem-se do chão
vestem a alma, com a força da razão
e voltam a luta do amor incondicional
nesta, em outra vida, será intemporal.

O gladiador de hoje, ajuda o inimigo
a tentar combater o seu umbigo
com pureza contra a ganância egoísta
e para ele, só o amor é conquista.

Miro Couto
13-06-2019


12 junho, 2019

À Espera

À Espera

Da paz que me sugeres franca
num pavio de algodão singelo
moldada pela glicerina branca
acende a chama que eu velo

doce palpitar do miocárdio
com batida poderosa das cames
ligam velas, faróis e o rádio
à espera que tu me chames

fermenta na ansiedade esse amor
deleitado na bigorna do ferreiro
espera do projecto todo o explendor
nas vigas retiradas de um pinheiro

moldada na tupia rotativa
ágil serpentear de um tico tico
rasga a alma rendilhada e viva
com um cinzel de perfeito bico

e se a talha que de bilros se parece
num entrelaçar de fios condensados
em gravura de historia que acontece
hieroglíferos pelas almas pintados

de fio de prumo verticalmente alinhado
cuja gravidade nos é demonstrada
criamos edifícios em dó elevado
de isolamento humano forçado

tecemos finas linhas de ligação
em redes alienadas e banais
em vez de alegria e satisfação
partilhada, em linhas de produção

e do simples fusível que se queima
por não ter a amperagem certa
da sedução utópica que reina
nunca se viu tanta gente esperta

e se as quilhas alinhadas em mar alto
sem leme ao vento planaram
pela sua combustão turbinaram
uma emoção que nos faz temer o salto

burilada feição no estirador
revelada em câmara pouco escura
sem grão mostra que a dor
só se sente enquanto dura

e não há alinhamento direccional
que corrija ou calibre vibrações
nem sempre a vida com sal
regista as boas recordações

e surfando em forte apneia
dentro de um belo chafariz
percebemos que chateia
aquilo que não se diz

Miro Couto
12-06-2019

22 maio, 2019

Vida

Vida

Conforme vais caminhando
nesse que é o teu trilho
para trás vai ficando
o que perdeu o brilho

avanças, e a tua alma segura
da a direcção, o rumo certo
e quando a viagem é dura
só os que amam ficam perto

deixas ficar as coisas, e os vulgares
deixas pessoas mais os seus lugares
tornas leve a carga que tanto pesava
e caminhas como se não fosse nada

muitos dirão que muito perdeste
não sabendo a lição que aprendeste
e aqueles que foram teu mestre
na maldade que sofreste

Caminhas, quase só sem lamento
aprendeste que o sofrimento
te dá a escola que precisas ter
para moldar a elevação de ser.

e aqueles que pelo caminho ficaram
não eram amigos nem amores reais
eram simples provas duras,  carnais
que o teu valor moral atestaram

E segues o teu caminho
alheio ao que as dores de parir
enfrentas o teu destino
ás vezes sozinho, mas a sorrir.

Miro Couto
22-05-2019

17 maio, 2019

A verdade sempre vencerá

A verdade sempre vencerá

Há quem construa muros, muralhas e vedações
redes, valas em cornualhas, barreiras pelas nações
mortandade, guerra e fome, miséria e crueldade
gente faminta e pobre, a passar necessidade

Há quem destrua emoções, ou felicidade alheia
há quem mate corações, com cinismo de mão cheia
violam a integridade, remexem na imensa podridão
não conseguem ver verdade no mais puro coração

há quem tente desfazer o amor que é semeado
há quem me tente deter no pretérito passado
que me feche em masmorras encerradas a cadeado
esmagando o pensamento, do bem que foi criado

Há quem não queira a verdade, pois ela sempre incomoda
e ha quem de verdade se venda, quando é posto à prova
mas também há quem resista, que lute e já sem pachorra
não deixe de fazer pontes, ainda que por elas morra

Há quem manobre escondido, fazendo opinião
há quem te queira oprimido, sabendo que tens razão
e tu que és Homem, resistes, e das a cara de novo
lutas, crias, insistes, em manter a pé este povo

apesar desses canalhas, que nos querem esmagar
as nossas pontes serão as mortalhas que os irão tragar
porque ninguém vence a razão, ninguém a derrota
joguem, criem confusão, mintam, achando que ninguém nota
e um dia, quando perceberem, que não se prende a razão
as grades que esses senhores fizerem, serão a sua prisão.

Miro Couto
17-05-2019

01 maio, 2019

Pensamento

A contestação das evidências só se pode fazer quando absorvemos o conhecimento da filosofia que a sustenta, ignorar um pensamento, ou uma filosofia, não nos dá a possibilidade de a contestar com fundamentos.
Miro Couto

23 abril, 2019

Pensamento



O Planeta Terra é uma escola em que a maioria dos alunos não sabe que são alunos, e os professores não fazem a mais pálida ideia das lições que dão.
Miro Couto

Vencer é a opção






 

Vencer é a opção

De Cartaz em cartaz
com o coração na mão
fomos gritando paz
liberdade e revolução

do medo que alguns quebra
de pixagem intencional
lutamos contra a guerra colonial
que tantas mortes encerra

de tanto engolir a revolta
da miséria feita ao povo
vencemos, demos a volta
e vencemos de novo

hoje vamos perdendo
tudo o que foi conquistado
e o medo novamente instalado
a alma nos vai corroendo

só quando o povo acordar
e perceber que dele é o mundo
faremos progredir e andar
este sentimento profundo

Miro couto
23-04-2019

20 abril, 2019

Pensamento

"Numa sociedade completamente errada, só os errados estão certos."
Miro Couto

13 abril, 2019

Abril de novo

Restaurados no sistema
pelas mãos de que os pariu
querem encerrar de vez
as portas que abril abriu.


São canalhas travestidos
de senhores de academias
mas é com aventais vestidos
que nos fazem tiranias


Já nem jogos de cintura
a camafular a ignomínia
fazem tudo às claras
em plena luz do dia


Ocuparam postos cruciais
em lugares de decisão
por mais que denunciemos
ninguém vai para a prisão


canalhas de todo o tipo
de luva branca e ego cheio
falam ao povo de pulpito
criando ao povo receio


são chacais, vigaristas
são reles vermes fascistas
com mascaras bem pintadas
que permitem fortunas roubadas


Fazem grupinhos amestrados
onde os conluios de fazem
e os vassalos acobardados
assistem e dizem amén


assim vão as portas que abril abriu
com politicos de algibeira
corruptos, sentados na assembleia
e a vontade é manda-los a puta que os pariu


Somos apenas numeros vazio a sorte
que estes canalhas levam a sugar até à morte
defendendo os seus por ordem de um grão merda
e o povo sofre, geme e berra, sempre em perda


depois, sim um dia depois dirão
que o povo revoltado, os maltratou
e dirão que são o prec da revolução
e escondem a mão que nos esmagou.


Quando será que este povo
ganha consciencia de cidadania
e põe de molhos estes canalhas de novo
e acaba com esta enorme tirania


será que teremos de gritar de novo
e fazer abril mas só com povo
para acabar com a dor que impera
e fazer abril nova primavera


acabar com ignominia absurda
onde o povo calado sofre horrores
para permitir a estes canalhas senhores
levar uma vida faustosa em vez de uma surra.


E se não dermos as mãos, contra todos eles
acabaremos por ser apenas carneiros
nas mãos de lobos matreiros
que alimentam vampiros como eles.


Teremos que voltar a abrir portas
desta vez sem fechaduras
correr com estas corjas
este bando de cavalgaduras


e poder cantar de novo
a uma só voz todo o povo
que ninguém vergara vontades
e que abril será de todas as idades


construído só com verdades
criando um país novo

e para não cerrarem de novo
as portas que abril abriu
só a força de um povo
que a um só grito rugiu!


ide vermes bolorentos
para fora deste país redil
e vamos semear os ventos
que nos traga um novo Abril.


Miro Couto
13-04-2019


24 março, 2019

E não seria feliz

E não seria Feliz

Por varias vezes fui convidado a ser artista
a ir para os meios reconhecidos dos cantores
onde se promovem jovens simples a senhores
puxando egos, até poderem dar na vista

Por varias vezes tive de fazer opções
ser ilustre reconhecido, um vencedor
vendendo a alma a uns senhores mandões
passar a comerciante do meu amor

podia ter aceitado entrar em negocios
que corruptos me encheriam de dinheiro
e hoje em vez de ser um simples pardieiro
seria uma montanha brilhante cheio de ócios

Podia pegar nas humilhações que me sujeitaram
dizer basta e tornar-me um não menos igual
e apesar das dificuldades e do esmagamento total
todos aqueles que queriam, a minha alma nao compraram

podia ter sido um "senhor" ilustre e notado
bastava aceitar as regras podres nesta sociedade
ceder aos meus valores e ser mais um comprado
em vez da humildade a que cheguei nesta idade

poder eu podia, mas nunca quis
por muito choro e dor que ja senti
quando morrer estarei muito feliz
porque nunca a minha dignidade vendi.

e assim serei sempre feliz
sem ter contradições morais
e poder ser daqueles que diz
olhai para tudo o que eu fiz.

Miro Couto

24-03-2019

18 março, 2019

SEM PALAVRAS

Tenho receio de mim, pois a minha tempestade interior
pode balançar em tumultuosa tempestade
que não haverá escala para definir nem suportar
lavando toda a incúria, toda a maldade instalada
toda a vaidade cravada nas almas decadentes
onde o ego cego tanto que não há lentes que capacitem de ver


Olho, e aquela madrugada airosa e bela que aspirava
foge por entre brumas, por entre névoas carregadas
que nos arrojam a raiva, e nos fazem com dor penar
onde a morte é um simples soprar de aragem
acometida de suaves odores perfumados a mil cores
e não o castigo acutilante por tantos reverenciado 


Olho, e a pena que me dá de nada poder mudar
que nem a força e o meu penar mais triste e ofegante
poder levar nem que fosse apenas por um instante
esta triste amargura centrada do mundo a gritar.


Abraço-me, com tenaz força impiedosa
e em vez de verso faço de propósito prosa
neste planeta em sofreguidão de amor
e deixo meus braços cair, e todos caem em meu redor.


Miro Couto
18-03-2019