27 novembro, 2021

Cultura, pois é

 

Cultura, pois é

Achas-te culto, bem sei
porque sabes quem foi Paganini
porque ja viste de Monet a cromática
ou alguém célebre a matemática

conheces Vivaldi, Mozart, Stravinsky
as filosofias de Platão, Sócrates, Epicuro
apreciaste as obras de Van Gog e Kandinsky
e tens a sensação de seres Luz no escuro

Ai como é fácil o ego levantar a vaidade
perceber que cultura é saber na verdade
como se fazem as coisas mais banais
onde fervilha tudo aquilo que usais.

E saber fazer fermento ancestral
para poderes fazer o pão e os bolos
e quando não sabemos ficamos tolos
entendendo a ignorância visceral

E se te perguntares o que sabes
e perceberes o quanto dependes
da sabedoria e da cultura empírica
o que faz de nós gente muito rica

Miro Couto

27-11-2021

24 novembro, 2021

Inverno Frio

 Inverno frio


Deste inverno que se insinua
gélido de frio cavernoso
dói pensar os que moram na rua
é para mim o mais penoso

Que tantas lutas travamos
para acabar com a pobreza
mas esta miséria em que vivemos
é fonte de lucro à riqueza

Nem abrigo condigno lhes dão
estes hipócritas, cínicos
que saem com a televisão
para serem eleitos políticos

Passam a mão pelo pelo
jurando com a miséria acabar
depois de eleito é vê-lo
com ar de quem está a tentar

e assim o meu irmão pobre
que sem nada vive na rua
é vitima do senhor nobre
que à custa deles se insinua

mas esta miséria há-de acabar
quando o coração humano se abrir
quando este povo acordar
São eles que irão fugir.

Miro Couto
24-11-2021

20 novembro, 2021

Corrida para o fim

 Corrida para o fim


Todos temos hora marcada

para quando eu não sei

de bens não possuo nada

vou embora como cheguei


e do sopro que ja passa

a que chamamos vida a correr

ninguém consigo leva a massa

que guardou até morrer


e nesta correria fútil

nesta insanidade banal

passamos uma vida inútil

com tanto desejo carnal


se pudessemos entender

a razão porque cá vimos

como nos iria surpreender

a forma como existimos


e de colégio de acções

no somatório dos anos

são as nossas ilusões

São sempre os nossos enganos


Que deixamos como pós

no dia em que partimos

só guardaremos em nós

as memórias que vivemos.


17-11-2021

13 novembro, 2021

Outono da vida

 Outono da vida

Se sempre belo é o outono
Das cores quentes que nos deixa
Do cair da folha que é retorno
Da renovação que não se queixa
Com brisas frias já nos prostra
Que está no fim da estação
Cobrindo o que andava à mostra
Nos dias quentes de verão
E nesta mudança contínuada
De estação em estação
Sabemos que não somos nada
Se perdermos o tempo que nos dão
E feito de mortes e renascimentos
Constantes e cheias de vida e cor
que nesta escola de sentimentos
Aprendemos a lição eterna do amor.
Miro Couto
12-11-2021

10 novembro, 2021

Ouvindo a canção

 Ouvindo a canção


E uma canção flui pelas entranhas

daquelas que a alguém dediquei

com o sentimento que até estranhas

e que provam que sempre amei


sons que nos tornam dolentes

que como acídos asperos corroem

na esperança de sermos valentes

mas que em verdade nada constroem


feitos de sonhos perdidos na lembrança

em que as mãos se uniam com fervor

como almas inquietas com esperança

uniam corpos sedentos de amor


Essas claves escritas na alma

cheias de solfejos invejáveis

com colcheias de suave calma

tornavam melodias infindáveis


talvez nas memórias mais vincadas

que o tempo marcou em brasa

vivam as notícias esperadas

quando regressarmos a casa:


E se a verdade fluisse agora

escrita em aço ou granito

talvez entendessem por fora

o que por dentro eu grito


10-11-2021


Miro Couto

06 novembro, 2021

Baixa-mar

 Baixa-mar


Enquanto a maré for má

e se mantiver em pesadelo

baixa-mar a quem mal dá

cunilingue em muito pelo


e se te querem ensinar

e para pescar te derem cana

com engodo e sem iscar

baixa-mar que é sacana


mas se a maré mudar

e se virar maré cheia

lembra que sabes nadar

e que não morres na areia


e se o mar estiver revolto

e te vires a naufragar

podes sempre dar um salto

em prancha podes surfar


mas se a maré estiver meia

e a àgua estiver quente

leva contigo os amigos

e baixa-mar toda a gente.


Miro Couto

06-11-2021


02 novembro, 2021

Sonhos

 Sonhos

É nas estrelas que residem os sonhos adiados.

E quando as estrelas brilham, provam que os sonhos não se apagam, apenas há dias nublosos em que não os conseguimos ver.

Miro Couto 

02-11-2021