31 dezembro, 2021

A um amigo...

 

31 de Dezembro de 2017 Gondomar 
Conteúdo partilhado com: Público
Público
A um amigo...
No meio da ventania
É dificil ouvir as palavras
que o vento em nostalgia
afaga as vozes embargadas
Mas o vento sempre diz
O que no coração se sente
E como bom aprendiz
Aprende e segue em frente
Pois esta escola sublime
que só ensina com dor
Faz saber dentro do peito
Quanto vale ter amor.
E esse amor sadio e puro
Sem interesses amarrotados
é que nos designa o futuro
é que nos faz ser abençoados.
Feliz 2018 e
um abraço
.

19 dezembro, 2021

Palavras nao ditas

 

19 de Dezembro de 2018 
Conteúdo partilhado com: Amigos; exceto: Luis Vieira, Elsa Jacinto, Vitor Monteiro, Tiago Oliveira, Fenacoop Movimento Cooperativo e 1 outras pessoas
Personalizar
Às vezes saem uns comentários assim, que reflectem mais o meu espírito que a alusão ao que comentei, pois são o reflexo da paz que tentas alcançar calando.
As palavras não ditas
cuja acidez corrói a placenta
embrionária que alimenta
a liberdade que gritas.
Miro Couto

05 dezembro, 2021

Saudade

 Saudade

Tenho saudades do sol
do seu imenso calor
da vida e da luta em prol
daquilo que chamamos amor
tenho saudades de mim
dos tempos em que sorria
quando afagava por fim
a dor que alguém prendia
das memórias que retive
nesta vida que percorri
amor que sempre mantive
e sonhos que ainda não vivi
tenho saudades de ter
as companhias mais certas
e sem medo de perder
as almas que estão despertas
do tudo o que fui perdendo
ganhando mais a cada dia
as coisas que agora entendo
e na dor não entendia
Tenho saudades de mim
dos dias em que brincava
com conversas sem fim
na noite que não findava
tenho em mim essas memórias
são momentos de felicidade
guardo por fim essas histórias
no livro da minha idade.
Miro Couto
05-12-2021

27 novembro, 2021

Cultura, pois é

 

Cultura, pois é

Achas-te culto, bem sei
porque sabes quem foi Paganini
porque ja viste de Monet a cromática
ou alguém célebre a matemática

conheces Vivaldi, Mozart, Stravinsky
as filosofias de Platão, Sócrates, Epicuro
apreciaste as obras de Van Gog e Kandinsky
e tens a sensação de seres Luz no escuro

Ai como é fácil o ego levantar a vaidade
perceber que cultura é saber na verdade
como se fazem as coisas mais banais
onde fervilha tudo aquilo que usais.

E saber fazer fermento ancestral
para poderes fazer o pão e os bolos
e quando não sabemos ficamos tolos
entendendo a ignorância visceral

E se te perguntares o que sabes
e perceberes o quanto dependes
da sabedoria e da cultura empírica
o que faz de nós gente muito rica

Miro Couto

27-11-2021

24 novembro, 2021

Inverno Frio

 Inverno frio


Deste inverno que se insinua
gélido de frio cavernoso
dói pensar os que moram na rua
é para mim o mais penoso

Que tantas lutas travamos
para acabar com a pobreza
mas esta miséria em que vivemos
é fonte de lucro à riqueza

Nem abrigo condigno lhes dão
estes hipócritas, cínicos
que saem com a televisão
para serem eleitos políticos

Passam a mão pelo pelo
jurando com a miséria acabar
depois de eleito é vê-lo
com ar de quem está a tentar

e assim o meu irmão pobre
que sem nada vive na rua
é vitima do senhor nobre
que à custa deles se insinua

mas esta miséria há-de acabar
quando o coração humano se abrir
quando este povo acordar
São eles que irão fugir.

Miro Couto
24-11-2021

20 novembro, 2021

Corrida para o fim

 Corrida para o fim


Todos temos hora marcada

para quando eu não sei

de bens não possuo nada

vou embora como cheguei


e do sopro que ja passa

a que chamamos vida a correr

ninguém consigo leva a massa

que guardou até morrer


e nesta correria fútil

nesta insanidade banal

passamos uma vida inútil

com tanto desejo carnal


se pudessemos entender

a razão porque cá vimos

como nos iria surpreender

a forma como existimos


e de colégio de acções

no somatório dos anos

são as nossas ilusões

São sempre os nossos enganos


Que deixamos como pós

no dia em que partimos

só guardaremos em nós

as memórias que vivemos.


17-11-2021

13 novembro, 2021

Outono da vida

 Outono da vida

Se sempre belo é o outono
Das cores quentes que nos deixa
Do cair da folha que é retorno
Da renovação que não se queixa
Com brisas frias já nos prostra
Que está no fim da estação
Cobrindo o que andava à mostra
Nos dias quentes de verão
E nesta mudança contínuada
De estação em estação
Sabemos que não somos nada
Se perdermos o tempo que nos dão
E feito de mortes e renascimentos
Constantes e cheias de vida e cor
que nesta escola de sentimentos
Aprendemos a lição eterna do amor.
Miro Couto
12-11-2021

10 novembro, 2021

Ouvindo a canção

 Ouvindo a canção


E uma canção flui pelas entranhas

daquelas que a alguém dediquei

com o sentimento que até estranhas

e que provam que sempre amei


sons que nos tornam dolentes

que como acídos asperos corroem

na esperança de sermos valentes

mas que em verdade nada constroem


feitos de sonhos perdidos na lembrança

em que as mãos se uniam com fervor

como almas inquietas com esperança

uniam corpos sedentos de amor


Essas claves escritas na alma

cheias de solfejos invejáveis

com colcheias de suave calma

tornavam melodias infindáveis


talvez nas memórias mais vincadas

que o tempo marcou em brasa

vivam as notícias esperadas

quando regressarmos a casa:


E se a verdade fluisse agora

escrita em aço ou granito

talvez entendessem por fora

o que por dentro eu grito


10-11-2021


Miro Couto

06 novembro, 2021

Baixa-mar

 Baixa-mar


Enquanto a maré for má

e se mantiver em pesadelo

baixa-mar a quem mal dá

cunilingue em muito pelo


e se te querem ensinar

e para pescar te derem cana

com engodo e sem iscar

baixa-mar que é sacana


mas se a maré mudar

e se virar maré cheia

lembra que sabes nadar

e que não morres na areia


e se o mar estiver revolto

e te vires a naufragar

podes sempre dar um salto

em prancha podes surfar


mas se a maré estiver meia

e a àgua estiver quente

leva contigo os amigos

e baixa-mar toda a gente.


Miro Couto

06-11-2021


02 novembro, 2021

Sonhos

 Sonhos

É nas estrelas que residem os sonhos adiados.

E quando as estrelas brilham, provam que os sonhos não se apagam, apenas há dias nublosos em que não os conseguimos ver.

Miro Couto 

02-11-2021

28 outubro, 2021

Sonhos

 Sonhos


Levaste para a forja um sonho

com a tesoura o levaste ao fogo

já em brasa o maltrataste logo

deixando a forma de antanho


mais e mais uma vez triturado

e de volta a renascer do nada

ganha formas vindas de fada

até chegar ao ponto esperado


quantas voltas deu no braseiro

quantas pancadas recebeu na bigorna

quanta força dada por inteiro

até que o sonho ganhe boa forma


até ganhar boa moldagem

quantas pancadas levou

quanto esforço foi a viagem

daquele que por amor o sonhou


quantas batidas de parto

foram feridas sangrentas

para conseguir o formato

da forma que apresentas


quantas vezes deformado

para ser belo e seguro

quantas vezes foi soldado

para ser general no futuro


assim são os meus sonhos

triturados por moinhos

que depois em pedacinhos

em puzzle de novo juntamos


E de derrota em derrota

de desilusão em cada tombo

onde a fé de cada nota

dá ao sonho o seu assombro


e se sonhar nos alenta

a pensar um mundo novo

saibam que o sonho atenta

que desgasta que rebenta

do mais velho ao mais novo


Mas sem sonhos nada somos

e de vegetar não saímos

que na vida de sonhos pomos

e a felicidade construímos


28-10-2021

Miro Couto


07 outubro, 2021

Um Terror, um assassino

 Um terror, um assassino.


Só sei que matei, matei, matei

se foram trinta ou quarenta não sei

sei que me coloquei em guarda

e de arma pronta e armada


em silencio e na espera fiquei

ate que num acto de perversão

não me detive e coloquei

toda a mestria de matar em acção


Quantas voltas tive de dar

com a arma armada na mão

e sem parar de disparar

matei mais uma grande porção


quem me visse no preparo

de matar com todo o vigor

e nao fizesse bom reparo

ia chamar-me grande estupor


mas a quem atento estava

nesta matança ordeira

sabia que por fim acabava

toda esta brincadeira


e cansado já da minha mão

de tanto esforço a matar

decidi dar-me um perdão

e sentei-me a descansar


resolvi então escrever

Duas notas sobre o assunto

matei, mas não fiz sofrer

embora matasse muito


tenho pena de quem morre

pois não se deve matar

mas por mais que fosse nobre

não me quiseram escutar


Pedi-lhes, ide embora

deixai-me a mim sempre em paz

não me quero ver à nora

eu que me acho bom rapaz


mas não, não me ouviram

e continuaram a atacar

e assim só preferiram

que pudesse eu matar


estas já não me atacam mais

morreram e são defuntas

serão alimento a pardais

que ficaram todas juntas


e por mim do meu relato

que já vos pôs a pensar

eram só moscas que mato

e nem isso queria matar.


Miro Couto

07-10-2021

01 outubro, 2021

Salta para a vida

 Salta para a vida


Não tenhas medo

não é segredo

que a tua luta é minha também


sai do degredo

aponta o dedo

mudo todo o mal para o bem


sai dessa casca

do desenrasca

que sofrer muito, faz mal


junta os dedos

mais os teus medos

vence essa morte fatal


ninguem é lorpa

quem faz da sopa

o seu alimento frugal


tem alimentos

que são tormentos

a toda a causa animal


E sem rodeios

quebra teus freios

e vem ser feliz com amor


parte depressa

deixa a conversa

ninguém merece essa dor


salta harmonia

e com alegria

vem comigo a cantar


que o futuro

por mais escuro

se fará luz a brilhar.


Miro Couto

01-10-2021

06 setembro, 2021

A Carolina

 A Carolina

A Carolina é uma menina
 muito pequenina
Hoje é princesa
Amanhã será rainha.

No principio era só rebento
a crescer no corpo da mamã
que no coração trago dentro
que faz valer cada manhã

hoje, feita boneca de sorrisos
enche o coração de todos
até dos menos conhecidos
que promete deixar-nos tolos

Fruto de amor e humanidade
do carinho da paternalidade
ferramentas de crescimento
de sáude, amor e sentimento

Será a Neta que me ofereceram
que no coração levo como minha
sabendo que hoje é apenas princesa
mas que mais tarde, será rainha:

Miro Couto
06-09-2021



O meu rebelde Joaquim

 O meu Rebelde Joaquim

Eras apenas projecto de vida
Desejado com a força de um motim
Eras a vida projectada e querida
força de outro grande Joaquim

Senti a tua rebeldia e malandrice
ainda eras apenas um pequeno feto
e já sentia que não eras de pieguice
serias rebelde, mas cheio de afecto

Hoje provas dia a dia a tua essencia
não dás tempo de lazer aos teus pais
sem dormir mas com a consciencia
que os optimos são pouco normais.

Es um ser que me deixa a alma cheia
sempre a sorrir até a quem te chateia
imparável, um turbilhão de emoções
já consegues partir muitos corações

Tenho orgulho em partilhar a vida
do que a vida me ensinou a partilhar
o pouco que dou é o que posso dar
e o pouco é o muito que posso sonhar

Um dia orgulhoso das tuas vitórias
sentirei que foram anos fabulosos
e os teus pais te contarão as historias
dos momentos eternos que são nossos.

Miro Couto
06-09-2021



02 setembro, 2021

Tão pouco e tanto

Tão pouco e tanto

Foram meses passados em euforia
duas almas que o mundo não queria
aceitar pelas matrizes que nos limitam
pelos olhos daqueles que apenas imitam

ser verdade no que envolve a imensidão
dos sentimentos, do amor e da paixão
das lutas travadas em guerra declarada
que nos pode reduzir a pó, reduzir a nada

quanta ternura esvaida de intenção plena
vencendo a amargura que mordia serena
quando se afogava a dor sentida em pranto
e alguém se refugiava no meu peito a um canto

vencidas as dores de sangue que esmagavam
tornada cordialidade compreendida
tornou-se desnecessária a missão tida
e novas ordens novos caminhos atacavam

num mundo de predadores egoistas
tomaram vida para suas conquistas
com laureados efemeros temporais
da vertigem dos ganhos materais

O tempo, esse mágico que a vida tem
devolve tudo o que dele nos servimos
façamos a parte que nos convém
que a vida traz aquilo que merecemos

Miro Couto
02-09-2021

01 setembro, 2021

Desabafo

 

Nada me assusta, nem a morte, mas viver plenamente é pensar na vida além dela.
Miro Couto
01-09-2021

28 agosto, 2021

Amar sem tempo

 Amar sem tempo

És ainda criança e sonhas
que o tempo demora a chegar
que um dia qualquer te ponhas
sem que alguém te possa atar

cresceste, e já jovem em rebeldia
desejas ser um adulto crescido
sem perceberes que algum dia
desejarias voltar ao tempo perdido

Homem feito, de familia iniciada
vem a responsabilidade dolorosa
O tempo que não dá para nada
ainda sendo numa idade poderosa

Depois, quando chega o outono da vida
percebes que tão rápido o tempo voou
que antes de ti muitos ja foram de partida
e olhas as marcas que o tempo deixou

e se o tempo fosse um verbo eleito
escolhido com verdade e coração
percebíamos o que o amor nos tem feito
e que não há tempo para amar com emoção

Miro Couto
29-08-2021


03 agosto, 2021

Calar e consentir, NUNCA

 

Calar e consentir, NUNCA

Não me peçam silêncio ou apatia
não me peçam para mentir ou calar
tudo o que fui, sou e serei morreria
se com isso tivesse de compactuar

Não me peçam palavras doces hipócritas
nem bajulantes discursos matreiros
peçam amor, carinho e mãos dadas
sem furor nem nenhuns letreiros

Não creiam que vos quero magoar
quando saem palavras incisivas
creiam antes no que eu posso dar
e ver as vossas vidas serem festivas

não me peçam que silencie a crueldade
a dor que fere com ferros quentes
a alma dos frágeis de qualquer idade
ou que alimente perversões doentes

Peçam que antes vos diga amor
mesmo nas palavras mais frias
que vos evite crescer na dor
se pelo amor não querias

e aí sim, contem comigo sempre
para lado a lado evoluirmos
tu, ele, ela, vós e toda a gente
nesta escola por onde subimos.

Miro Couto
03-08-2021

04 julho, 2021

Tudo o que sou

 Tudo o que sou

Que a voz nunca me doa
para denunciar o errado
que a minha força seja boa
e que a razão esteja do meu lado

Que a força do que amo
da verdade e amor intemporal
tenha tudo a que chamo
a máxima elevação espiritual

que saiba sempre o caminho
de ajudar esta pobre humanidade
de abraçar o meu grande sonho
de viver feliz em comunidade.

Um dia, quem saberá dizer
podemos todos assim viver
com o sorriso na alma
em paz e em doce calma.

Miro Couto

03-07-2021 

 


 

27 junho, 2021

Morna Éterea

Morna Eterea

Minha oração é pequenina
tem alguns pedidos com amor
dita com a força que me anima
pelos que sofrem com muita dor

são palavras doces como mel
aqueles a quem a dor dilacera
que engolem o amargo do fel
com esperança de primavera

São auspiciosas melodias
que brotam do meu coração
ditas com força todos os dias
até que se cure meu irmão

feita de carinho e bem querer
sai do amago do meu ventre
onde reside a energia o poder
que nos faz caminhar em frente

Miro Couto
27-06-2021


07 junho, 2021

Rosas na alma

 Rosas na alma

Eram rosas meu amor
as que levava no braço
carregavam o odor
que te dava num abraço

era flores de muitas cores
rosas vermelhas de paixão
amarelas das mil dores
que trago no coração

Era leveza e perfume
num beijo a ti roubado
era o que alimentava o lume
da paz que tinha herdado

era melodia singela
ternura feita de cor
a paz cantada a capela
num leito cheio de amor

Eram flores , ou eram rosas
carregadas de belos sonhos
um desenho feito em prosa
triturado por moinhos

mas aquilo que restou
de toda a beleza contida
é o perfume que ficou
e que carrego pr’a vida

Miro Couto
07-06-2021



04 junho, 2021

Reflexão

 

Reflexão

Não faças desenhos para a vida
Que a vida desenha por ti
O que desejas é coisa perdida
pois a vida não te sorri

Nem seria de esperar
pois é curso temporal
uns só pensavam amar
e estão num hospital

a vida é sempre incerta
nunca deves esperar nada
dá-te de forma certa
de forma contrariada

e os desejos de amor
que depositas nos outros
são fragmentos de dor
servidos sempre aos poucos.

Miro Couto
04-06-2021

02 junho, 2021

Família

 

Família

Há quem me leia pelo que visto
Há quem leia pelo que digo
quem me lê pelo seu umbigo
esses não sabem ler, deles desisto

há quem saiba ler as palavras
essas que escrevo à pressa
os que lêem as minhas obras
me lêem em longa conversa

Há até alguns que dizem ler
o que tenho em pensamento
e querem fazer outros crer
pela maldade deles, lamento

Há quem os olhos me leia
e quem me leia a alma
poucos são da minha veia
os que são a minha calma

Sem palavras, ou movimento
sabem sempre como me sinto
porque é delas o sentimento
igual ao meu, e não brinco

É a família que a alma acolheu
são aqueles que nos conhecem
são o amor que nunca se perdeu
são as almas que nos pertencem.

Miro Couto
2-06-2021

31 maio, 2021

Descrédito

 

Descrédito
 
Já não sei em que hei-de crer
uns falam que fazem demais
eu nada os vi ainda fazer
a não ser falar nos jornais.
 
Os que vejo a fazer obras
com filantrópicas promessas
enchem-se e são como cobras
ficam com um terço, das remessas
 
Já nem sei o que faz falta
se é cantar e animar a malta
ou se a cantiga é uma arma
dos ladrões ao povo, ninguém reclama
 
Se fizesse como a Avestruz
fingia que não sabia de nada
mantinha a ausência desta cruz
se mantivesse a boca calada
 
Mas não, não sei nem consigo
assistir a esta podridão corrupta
que fazem convosco e comigo
roubam sáveis, roubam truta
(Era mais ladrões FDP)
 
em tribunais perdoados
riem de nós todo o dia
se não forem atacados
com acções de cidadania
 
Eu não me contento assim
neste desleixo, frio, apático
e só me permito assim
ser lutador pragmático
 
E a estes reles senhores
de batina e cruz ao alto
ou de aventais de bolores
que nos criam sobressalto
 
um dia, terão com eles
o retorno das acções
pois são as suas atitudes reles
que produzem revoluções.
 
Miro Couto
31-05-2021

15 maio, 2021

Anónimo

 Anónimo

Morreu hoje o sr. Anónimo
sem pompa, sem circunstância
ele que lutou toda a vida, cheio de animo
desde a sua mais tenra infância

Não tirava selfies do que fazia
nem apregoava aos ventos
tudo o que ele trazia
eram apenas lamentos

levava amor, ao mais triste
portava carinho aos animais
andava de dedo em riste
contra os absurdos morais

não julgava os desvalidos
nem alimentava senhores
sempre levantou caídos
sempre atacou maus doutores

dava milho aos pombos
como se saciasse uma multidão
da fome, a quem anda aos tombos
ajudava como se fosse irmão

o sr Anónimo morreu
sem pompa nem circunstância
Sei que podia ser eu
que tenho a mesma importância

Miro Couto
15-05-2021