16 outubro, 2005

As curvas da vida

Não vou falar de pneus nem de amortecedores, capazes de enfrentar as curvas das estradas portuguesas. Apenas e sómente vou falar das "curvas" que as vezes temos de fazer, para encontrar as auto-estradas que nos trazem mais segurança e mais paz!
É claro que ninguem gosta de curvas, pois elas representam dificuldade, representam preocupações, falta de entendimento, e muitas vezes, dizemos que somos muito liberais, que somos capazes de enfrentar na boa montes de coisas, que aceitamos isto e aquilo, mas quandio é chegada a hora, vemos o saltar das trompetas, e o alarme mais duro de tocar a ficar rubro de emoção!
É muito fácil dizer que.... um determinado casal, se conhece a poucos meses, e que ja vai ter um filho e que se vai casar, e que compreendemos muito bem a situação etc e tal, mas, quando se pergunta se sabem porque... acham que é por obrigação moral perante a sociedade, e nunca pensam que é o AMOR que está latente, e que nao precisaram de muitos anos para perceberem que se amam, e que são felizes juntos!
Quantas vezes dizem que aceitariam as diferenças sociais, que isso não é problema, mas depois quando se chega a hora de fazer contas com os convidados da boda, perguntam como é, e nao dizem que uma vez que nós temos e eles não teem, responsabilizamos-nos nós pelos gastos, mas sim deitam á cara e a ferver, que os ditos progenitores, nem para o casamento da filha, ou do filho, largaram dinheiro.
Outras vezes, dizem que o que interessa é o amor, mas se a filha ou o filho aparecem com os respectivos companheiros que sejam de côr diferente, bem... la se vai o carmo e a trindade, mas como tenho um casal amigo, que se amam verdadeiramente, e ela é mais velha que ele 12 anos, e que os pais ate aceitam na boa, na maioria dos casos, porque socialmente esta estabelecido que as diferenças de idade compreensiveis sao de meia duzia de anos, se por acaso um vizinho diz qualquer coisa, bem... la cai tudo outra vez.
Porque será que ninguem pergunta mesmo o que é o amor, e o que ele representa? porque será que as pessoas nao entendem que o amor é algo que transcende o corpo, que transcendendo o fisico, e que passa para o espiritual de uma força quase incrivel, e com sensações únicas, com um calor interno que nao se explica, mas se vive, com todos os sentidos colados na pessoa, e que nao se consegue descrever, e que, por isso mesmo, e porque infelizmente a maioria das pessoas nao entende, avalia mal, reage péssimamente, critica, anula, castra, impede, castiga, frustra, enfim, uma panóplia de erros sucessivos, que demonstram perfeitamente a ignorância do que é efectivamente o amor. Não conseguem sequer perceber que por amor, se mande a pessoa que se ama embora, para que não passe as privações que estamos sugeitos, e que na maioria dos casos, nos obrigam a ceder perante a pessoa que amamos, e que acaba por fazer infelizes os que se desviaram. Em todo o caso, devemos compreender que pessoas pouco elevadas, e que normalmente nunca tiveram essas emoções ou essas sensações, critiquem, impeçam etc e tal, esse tipo de relações, porque como as desconhecem, e só sabem o que é o amor programado, aquele que tem horas para tudo, ate para se "amar", aquele em que tudo é pré-estabelecido, com as regras estúpidas das conveniéncias, mas que não deixa que o amor flua como um rio que nao adianta meter-lhe barreiras que sempre as transporá, e as vezes, quantos maior é a barreira que lhe queremos por, maiores são os estragos que provoca quando vence a barreira!
Deixem que o amor faça parte da vossa vida, e se ainda não o entendem, e alguém ao vosso lado se identifica com ele, tentem analizar passo a passo, para verificar que afinal vale a pena passar dificuldades, e vencer a curvas da vida, para se amar verdadeiramente, e nos entgar-mos de corpo e alma, onde aquilo que se pensa que serão dois, se funde e passa a ser um só.
Para quem nao entende isto, lamentavelmente so posso dizer, esforcem-se pois um dia quem sabe, perceberão a luz interior que vos guia e vos dá a força que hoje eu tento dar-vos! O amor que reside em mim, da para distribuir, mas acreditem, so alguém mesmo muito especial o poderá receber, pois esse alguém, é que terá o respectivo leitor de codigos de barras, para perceber o artigo que tem nas mãos!

beijos a quem é de beijos

Miro

3 comentários:

Joanoliveira disse...

Como eu te compreendo...
é difícil interiorizar tudo aquilo que acabaste de tentar explicar a quem nunca o sentiu aliás acho que aquilo que tentaste fazer é impossível porque é impossível descrever o amor, é impossível transpor para palavras qualquer tipo de sentimento que seja verdadeiramente sentido, e o amor é o mais complicado de explicar, porque são poucas as pessoas que o entenderão porque são poucas as pessoas que o sentirão verdadeiramente em toda a sua vida, infelizmente são pouquissímas porque a nossa sociedade não permite... mas enfim... o mundo há-de mudar...
beijos, obrigado por existires, obrigado por aquilo que és, obrigado... gosto muito de ti gaiju

Darkann disse...

Oi gajo; tenho pensado muito em ti e como não acredito em coincidências, acredito que hoje Alguém cá me mandou para visitar o teu blog...
Digo isto e saliento o primeiro "A" de "alguém", porque tal como dizes, acredito também que só uma força muito superior a nós nos dá a possibilidade de sentirmos realmente o amor. Enquanto existirem os preconceitos, muitos deles já institucionalizados, nunca teremos a capacidade de amar verdadeiramente... Preferia agora passar de "NÓS" para "EU"; isto porque uma das coisas que (re)aprendi desde que voltei à minha recuperação é que apenas posso falar por mim e de mim; das minhas experiencias mesmo que estas sejam identificativas para muito "boa gente"!
Dizia então eu, que só voltei a sentir a beleza da vida, a não maldade (e a maldade também) das pessoas, o amor pelos amigos, pela familia... quando me predispus a aceitar Deus na minha vida. (Ora, ora, que católica que ela está!!! Agora até já fala em Deus...)
Também eu antes tinha umas "putas" dumas palas preconceituosas como tudo!... Mas à custa destas "palas", as curvas da minha estrada estavam a tornar-se inclinadas e perigosas demais para eu continuar a viajem...
Só quando me vi perante um cruzamento, onde todas as hipoteses que eu tinha me pareciam desesperadamente incorrectas é que me dispus a acreditar que havia Alguém, algures, que sempre tinha estado do meu lado quando eu fazia as minhas merdas... Decidi apenas acreditar nele e deixar que ele fizesse por mim aquilo que eu não era capaz de fazer sozinha...
Nessa semana as coisas realmente mudaram... Ou melhor, talvez não tenham sido as coisas que mudaram mas sim eu. Reavi o amor que tinha deixado de lado por ter deixado de acreditar!
Passei a acreditar, não em cristianismos ou em budismos ou em satanismos, mas num Poder Superior, numa força transcendente que move o mundo, a vida...
Basta acreditar em alguma coisa... Aí sim; o amor é verdadeiro e não à que dar provas: as coisas sentem-se apenas!

Com saudades;
BJS

Ana

Carlos disse...

Olá Mirito,

Faz bem ao espírito ler as coisas que escreves... o que dizes faz todo o sentido...

Abraço
Carlos