31 julho, 2006

Parar para meter a cabeça no lugar

Hoje dei a mim próprio pelo menos uma manhã de férias. Acordei a mesma hora de sempre, e senti que se me metesse ao caminho e tentar trabalhar, o dia ia ser estupidamente rude, iria desgastar-me demais. iria provavelmente nao ter paciencia para com ninguém, e, porventura até ser injusto. Decidi que de facto as vezes é melhor parar e pensar, meditar na vida, e mesmo com a alma cheia de certezas, mesmo quando sabemos o que vai acontecer em breve, mesmo que seja inevitável, as vezes, devemos ponderar e se calhar pensar num novo rumo. Ia tomar decisões que provavelmente seriam precipitadas, porque a pressão é muita, porque a dôr é muita, porque a vida apesar de estar a limpar o caminho, tem sido muito dificil, apesar de ter ultrapassado ja alguma metas importantes, começo a sentir que se não somos precisos num determinado local, se ja começa uma determinada zona a não nos dizer nada, se começo a sentir que o meu país ja nao é lugar para que eu possa ser útil, então algum lugar haverá onde eu possa sentir a realização de que preciso para me sentir pleno.
São estes assaltos que me deixam a pensar, e a ter de meditar, para nao largar tudo, vender o que ainda resta, e saltar daqui para fora, em vez de procurar no meu meio a felicidade que me está prometida, e daí a razão de eu ter de parar, de nao falar, de não ouvir, a nao ser a minha luz interior, para me aconselhar e me dar alento para continuar a caminhada.
Procuro o equilibrio, e procuro sentir que afinal tudo esta certo, apesar das linhas tortas, e apesar de ter tanta gente queinda é atrasada, e fazer mal, a usar-nos, a fazer egoisticamente o que lhes apetece, sem se preocuparem com a dignidade, sem se darem conta dos erros que cometem, e das facturas que terão de pagar.
Tudo isto me cansa, tudo isto me farta, tudo isto me deixa sem alento ainda que momentaneo, para continuar, e é esse parar para meter a cabeça no lugar, é esse relaxar os sentidos para que possa absorver a luz, e depois de carregar as baterias, se ainda fôr no sentido que espero, então mesmo com as linhas tortas, continuar a lutar, se não forem, então nesse caso, é partir e nao olhar mais para tras, pois o passado pode morder e magoar.
Quem sabe da parte de tarde estarei diferente, quem sabe, depois de meditar estarei mais forte, quem sabe, se como ontem dizia a alguém, hoje esta mal, mas amanha vem uma rajada de vento, e o que parecia mal, afinal estava certo, e era bem. Não se conhecem os designios de Deus, e muitas vezes, vemos que as coisas nao indiciam que vão correr bem, mas, passados uns dias, esta tudo certo.
É nessa certeza e nessa fé em que acredito, é nesse feeling (intuição) que me guio, mas, por levar tanta porrada no sentido inverso, devo parar, e pensar se as vezes os sinais não terão alguma interferencia.

Beijos a quem é de beijos

Miro (se virem nao sou eu, porque nao estou aqui)

2 comentários:

Florbela disse...

Dar um tempo a si mesmo na busca do melhor e do mais certo não é fácil... tendemos, sempre, a pouco escutar e agirmos por conta própria. Entendo teu momento de introspecção e recolhimento. Torço, como sempre torci, para que essa busca te traga paz, serenidade e felicidade. Uma pena que eu não saiba retribuir aquilo que escreves com palavras que fluam tão facilmente quanto as tuas mas creio que sabes o que me vai na cabeça. Um carinho imenso e um beijo no teu coração.

Menina do Rio disse...

Quanto mais leio teus escritos, mais penso em como gostava de estar por perto. Sei que parece estranho, mas...o que não é estranho neste mundo?

Te cuida!

Um doce beijo!